Pensem num sujeito aflito, perturbado com os males cotidianos – reais e imaginários – e movido a puro afeto. Pensem num sujeito que, como canta Ney Matogrosso, ama tanto e, de tanto amar, vive entre alegrias e decepções pessoais. Pensem num sujeito que, como cantava Renato Russo, sente saudade de tudo que ainda não viu — então imaginem do que viu. E que conheceu. E amou. Como canta Erasmo e Roberto: esse cara sou eu!
Hoje faz um ano da morte do prefeito de Belo Horizonte e conselheiro benemérito do Clube Atlético Mineiro, Fuad Noman. Aliás, deixe-me inverter a ordem: conselheiro benemérito do Clube Atlético Mineiro e prefeito de Belo Horizonte, pois a prefeitura da cidade passa; o amor incondicional pelo Galo, nunca. E mais ainda: faz um ano da morte de um pai, avô, filho, marido, irmão e amigo exemplares.
Quem conheceu intimamente esse “véinho de suspensório” sabe do que estou falando. Fuad alternava momentos de gentileza e aspereza com a mesma “doçura” de fundo. Quando brigava, tentava parecer duro, rigoroso, mas os olhinhos entregavam o verdadeiro sentimento por trás das broncas: vontade de ajudar, vontade de fazer funcionar, vontade de construir e de progredir em equipe. Por isso era tão querido.
Se estivesse vivo, hoje, estaríamos nos encontrando todas as semanas, salvando o Atlético, Belo Horizonte, Minas Gerais, o mundo. Contrataríamos jogadores, demitiríamos treinadores, falaríamos bem e mal de políticos, faríamos planos de governo, desenharíamos cenários partidários e apostaríamos nos vitoriosos das próximas eleições. Após uns 50 minutos, ele olharia no relógio e me mandaria embora: “Tenho de trabalhar”.
Minha mãe morreu há seis anos. A cada dia dói menos, mas a saudade aumenta mais. Será assim também. Beijos, prefeito!