Além de Mariana, 18 municípios aderem ao acordo por tragédia de 2015

Ouro Preto e Colatina não aceitaram proposta de mineradoras; negociações com Resplendor ainda acontecem
Vista aérea de área atingida pelo rompimento da Barragem de Fundão.
O rompimento da barragem, em 2015, provocou a maior tragédia ambiental do país, deixando 19 mortos. Foto: Corpo de Bombeiros MG/Divulgação

Vale, BHP e Samarco receberam, nesta quarta-feira (19), a confirmação da adesão de 19 municípios que ainda não haviam aderido ao Acordo de Mariana, incluindo a cidade onde a tragédia aconteceu em 2015. O Fator apurou que apenas Ouro Preto e Colatina (ES) resolveram ficar de fora do tratado, enquanto Resplendor e Governador Valadares ainda negociam os termos.

Para atrair os municípios, a Samarco ofereceu no início do mês uma proposta de investimentos na infraestrutura das cidades. Na ocasião, a mineradora se comprometeu a investir valores iguais a 35% daqueles estabelecidos no Acordo de Mariana – com exceção dos municípios de Mariana, Ouro Preto e Governador Valadares, aos quais foram oferecidos valores idênticos aos do Acordo.

A adesão dos municípios ao tratado, que ainda precisa ser homologada na Justiça, está condicionada ao abandono das ações sobre o tema na Justiça Inglesa. A proposta entregue aos municípios prevê que a primeira parcela dos investimentos só será paga após a confirmação da retirada.

Com isso, o escritório inglês Pogust Goodhead perde quase todas as prefeituras que eram suas clientes na Justiça do Reino Unido. Por outro lado, o escritório mantém os clientes individuais, que somam cerca de 300 mil pessoas.

Ao todo, o Acordo de Mariana prevê um repasse de R$ 6,1 bilhões aos municípios atingidos. Com a aceitação da proposta da Samarco pelas 19 cidades, outros R$ 3 bilhões serão repassados, sendo R$ 1,2 bi apenas para Mariana.

*A reportagem foi alterada às 16h09 para incluir Governador Valadares na lista dos municípios que ainda negociam os termos com as mineradoras.

Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília, e pela Itatiaia. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.

Formado em jornalismo pela PUC Minas, Pedro Lovisi trabalhou nas redações do jornal Estado de Minas e da Rádio Itatiaia. Nos últimos cinco anos, foi repórter da Folha de S.Paulo, onde se destacou pela cobertura econômica de setores ligados à transição energética, principalmente energia e mineração. Também é mestre em Governança Global e Formulação de Políticas Internacionais pela PUC SP, onde estudou instrumentos orçamentários para cidades mineradoras de Minas Gerais.

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