Além de Mariana, 19 municípios aderem ao acordo por tragédia de 2015

Ouro Preto e Colatina não aceitaram proposta de mineradoras; negociações com Resplendor ainda acontecem
Vista aérea de área atingida pelo rompimento da Barragem de Fundão.
O rompimento da barragem, em 2015, provocou a maior tragédia ambiental do país, deixando 19 mortos. Foto: Corpo de Bombeiros MG/Divulgação

Vale, BHP e Samarco receberam, nesta quarta-feira (19), a confirmação da adesão de 20 municípios que ainda não haviam aderido ao Acordo de Mariana, incluindo a cidade onde a tragédia aconteceu em 2015. O Fator apurou que apenas Ouro Preto e Colatina (ES) resolveram ficar de fora do tratado, enquanto Resplendor ainda negocia os termos.

Para atrair os municípios, a Samarco ofereceu no início do mês uma proposta de investimentos na infraestrutura das cidades. Na ocasião, a mineradora se comprometeu a investir valores iguais a 35% daqueles estabelecidos no Acordo de Mariana – com exceção dos municípios de Mariana, Ouro Preto e Governador Valadares, aos quais foram oferecidos valores idênticos aos do Acordo.

A adesão dos municípios ao tratado, que ainda precisa ser homologada na Justiça, está condicionada ao abandono das ações sobre o tema na Justiça Inglesa. A proposta entregue aos municípios prevê que a primeira parcela dos investimentos só será paga após a confirmação da retirada.

Com isso, o escritório inglês Pogust Goodhead perde quase todos os seus clientes na Justiça do Reino Unido, o que pode encerrar uma disputa antiga entre os advogados britânicos e as mineradoras.

Ao todo, o Acordo de Mariana prevê um repasse de R$ 6,1 bilhões aos municípios atingidos. Com a aceitação da proposta da Samarco pelas 20 cidades, outros R$ 3,2 bilhões serão repassados, sendo R$ 1,2 bi apenas para Mariana.

Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília, e pela Itatiaia. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.

Formado em jornalismo pela PUC Minas, Pedro Lovisi trabalhou nas redações do jornal Estado de Minas e da Rádio Itatiaia. Nos últimos cinco anos, foi repórter da Folha de S.Paulo, onde se destacou pela cobertura econômica de setores ligados à transição energética, principalmente energia e mineração. Também é mestre em Governança Global e Formulação de Políticas Internacionais pela PUC SP, onde estudou instrumentos orçamentários para cidades mineradoras de Minas Gerais.

Leia também:

A pitoresca exoneração do marqueteiro Alberto Lage

Além de Mariana, 19 municípios aderem ao acordo por tragédia de 2015

Os nomes que podem integrar governo de Cleitinho em caso de vitória na eleição

Veja os Stories em @OFatorOficial. Acesse