Auditores fiscais de Minas Gerais deflagraram, nesta semana, uma nova estratégia de protestos contra o primeiro escalão da Secretaria de Estado de Fazenda. A categoria vinha promovendo um dia semanal de paralisação a fim de reivindicar questões como melhoria salarial e fornecimento de cursos de capacitação. Nessa segunda-feira (17), entretanto, os auditores resolveram cruzar os braços por três dias seguidos. O movimento está previsto para terminar nesta quarta-feira (19).
O movimento é mais um componente da já desgastada relação entre os auditores e o secretário Luiz Cláudio Gomes. Em junho, servidores do setor chegaram a afixar cartazes no edifício-sede da Fazenda para acusá-lo de “omissão” e apontar “desmonte” da Receita Estadual.
Segundo Matias Bakir, presidente do Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Estadual de Minas Gerais (Sindifisco-MG), as paralisações semanais diminuem a arrecadação tributária, já que cabe aos auditores a tarefa de supervisionar o recolhimento de impostos e taxas.
“Quando você paralisa uma vez por semana — e temos feito isso às quartas-feiras – há paralisação quatro vezes ao mês. Nossos estudos apontam queda de R$ 800 milhões com quatro paralisações por mês”, diz.
Nesta terça, além de mais um dia da paralisação que vai durar até quarta-feira, o Sindifisco organizou um ato público na Cidade Administrativa, em Belo Horizonte.
“Eles estão, aos poucos, minando estruturas das Fazenda, que são historicamente capacitadas, como se não quisessem que houvesse forte combate à sonegação”, afirma o dirigente sindical.
Ainda conforme Bakir, os auditores fiscais de Minas Gerais ocupam o 26° lugar no ranking nacional de salários pagos pelas Receitas Estaduais.
Mais efeitos
O presidente do Sindifisco cogita a possibilidade de convocar uma nova assembleia dos auditores caso as demandas da categoria não sejam atendidas pela Fazenda estadual. De acordo com ele, um ofício enviado no meio do ano com as reivindicações não chegou a ser respondido.
“Existe uma tendência de as chefias (da Receita Estadual) não se reunirem na próxima semana para planejar o combate à sonegação no ano de 2026. É um esvaziamento total da fiscalização tributária”, aponta, lembrando que muitos dos ocupantes dos cargos de liderança são servidores de carreira.
A reportagem procurou a Secretaria de Fazenda para obter posicionamento a respeito da paralisação dos auditores fiscais. Não houve resposta. O espaço segue aberto.
