A nova fase da Operação Overclean, que afastou secretário de BH em abril

Inquérito da PF mira organização suspeita de atuar no pagamento de propinas a agentes públicos para conseguir contratos
Barral foi indicado ao cargo na PBH pelo União Brasil em 2024. Foto: PBH
Barral foi indicado ao cargo na PBH pelo União Brasil em 2024. Foto: PBH

A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta terça-feira (14), a sexta fase da Operação Overclean, a mesma investigação que resultou no afastamento de Bruno Barral da Secretaria de Educação de Belo Horizonte, em abril deste ano. A nova etapa apura desvios de recursos de emendas parlamentares e fraudes em licitações, com foco na atuação de uma organização criminosa suspeita de movimentar bilhões de reais em contratos fraudulentos.

A operação cumpriu oito mandados de busca e apreensão em Salvador, Amargosa (BA) e Brasília (DF), com autorização do Supremo Tribunal Federal. O deputado federal Dal Barreto (União Brasil-BA) foi um dos principais alvos, sendo abordado no aeroporto de Salvador, onde entregou o celular aos agentes. A PF também realizou buscas na residência do parlamentar em Amargosa e em um posto de gasolina da família.

Operação sem alvos em MG, mas com vínculos investigativos

Em abril, uma etapa da Operação Overclean culminou no afastamento do então secretário de Educação de Belo Horizonte, Bruno Barral.

As investigações indicam que Barral teria atuado, antes de assumir em BH, para direcionar licitações em Salvador (BA) a favor de empresas ligadas ao empresário José Marcos Moura, conhecido como “Rei do Lixo”, e ao sócio Alex Parente. O inquérito foi anexado ao processo conduzido pelo ministro Kassio Nunes Marques, que determinou o afastamento de Barral em Minas Gerais após analisar trocas de mensagens e documentos apreendidos na operação anterior.

A PF afirma que as evidências coletadas neste período serão analisadas para embasar futuras medidas, conforme o avanço das apurações. Segundo fontes ouvidas pela reportagem, apesar dos sinais de que o inquérito avança para outras localidades do Sudeste, ainda não há previsão para novas ações nessa região.

Investigação

A Operação Overclean investiga uma organização criminosa suspeita de atuar no pagamento de propinas a agentes públicos para conseguir contratos em todo o país. A investigação teve início para apurar desvios de recursos de emendas parlamentares destinadas ao Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs).

Em abril, quando a operação afastou Bruno Barral da Secretaria de Educação de Belo Horizonte, a PF estimou que a organização suspeita tenha movimentado cerca de R$ 1,4 bilhão por meio de contratos fraudulentos e obras superfaturadas. Na ocasião, foram cumpridos mandados de busca e apreensão na casa do empresário José Marcos de Moura, conhecido como “Rei do Lixo”.

A fase mais recente anterior à de hoje ocorreu em julho, quando a Justiça determinou o bloqueio de R$ 85,7 milhões em contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas investigadas. Entre os alvos estava Elmo Nascimento, irmão do deputado federal Elmar Nascimento (União-BA) e prefeito de Campo Formoso (BA).

Figura central da investigação

José Marcos de Moura, o “Rei do Lixo”, figura como articulador político e operador de influência da organização. Conhecido pelos contratos firmados na área de limpeza urbana na Bahia, ele foi preso preventivamente na primeira fase da operação junto com outras 16 pessoas, mas posteriormente foi solto por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região.

A investigação aponta que Moura atuou junto a políticos para destravar negócios públicos, intermediando o pagamento de propinas para a obtenção de contratos governamentais em diversas regiões do país.

Os investigados na nova fase poderão responder pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitações e contratos administrativos, além de lavagem de dinheiro. A operação contou com o apoio da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Receita Federal.

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