Os municípios de Minas Gerais que não aderirem aos blocos regionais de saneamento criados no fim do ano passado terão até 20 de junho para apresentar atestados técnicos que justifiquem a decisão. O material deverá comprovar capacidade do município de cumprir as metas de universalização. O prazo consta em decreto publicado nesta sexta-feira (10) pelo governador Mateus Simões, do PSD.
O decreto de Simões traz uma série de diretrizes sobre o processo de adesão das cidades aos blocos. São quatro unidades regionais destinadas ao abastecimento de água e 26 grupos voltados à gestão de resíduos. A manifestação de interesse na adesão precisa ser encaminhada até 23 de junho, data que já estava prevista na lei que deu forma à regionalização do saneamento.
Embora já tenha estabelecido o prazo para a apresentação de justificativa por parte das prefeituras que rechaçarem o modelo, o Palácio Tiradentes apontou que o trâmite a ser seguido para a comprovação dos argumentos da decisão constará em portaria específica da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Semad).
As unidades de distribuição hídrica e de gestão de resíduos terão esferas executivas e deliberativas. As instâncias executivas terão um indicado do Executivo estadual atuando ao lado de representantes de cada um dos municípios do grupo. No setor deliberativo, o peso da votação dos indicados pelas cidades será maior.
Conexão com a privatização
A regionalização do saneamento é parte importante do processo de privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa). O estabelecimento dos blocos ajuda, por exemplo, em negociações para a renovação de acordos de concessão.
Como O Fator já mostrou, a administração estadual tem cronograma prevendo a conclusão da privatização em maio. A ideia é negociar ao menos uma parte dos 50,03% detidos pelo Executivo.
O governo fará uma oferta secundária de ações, a fim de incorporar, ao erário, os recursos obtidos com a transação. O plano A é conseguir um acordo com um investidor de referência.
