Acordo entre PBH e associação de carreira municipal proíbe contato com vereadores e gera mal-estar na Câmara

Cláusula impede Aplena-BH de sugerir emendas ao projeto de reajuste salarial e incomoda parlamentares da capital
Vereadores com base eleitoral no Barreiro temem que o cargo seja utilizado politicamente. Foto: Cláudio Rabelo/CMBH

Um acordo por escrito firmado entre a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) e a Associação dos Agrimensores, Agrônomos, Arquitetos, Engenheiros, Geógrafos, Geólogos e Urbanistas da prefeitura (Aplena-BH) prevê que a entidade está proibida de procurar vereadores para apresentar emendas ao projeto de lei que trata do reajuste salarial da categoria, fato que gerou forte mal-estar na Câmara Municipal.

A cláusula, registrada em um documento, estabelece que “a entidade se compromete a não propor e nem demandar emendas aos vereadores visando alterações do projeto de lei sob o risco de retirada do PL”.

A restrição imposta pela prefeitura não caiu nada bem entre os parlamentares. Vereadores ouvidos por O Fator afirmam que não gostaram da postura do Executivo, que, segundo eles, tenta limitar o papel do Legislativo no debate e na votação de projetos de lei. A avaliação é de que a prefeitura demonstra desconfiança em relação à atuação dos parlamentares e busca evitar qualquer alteração no texto original.

O termo de acordo, assinado pelo secretário municipal de Planejamento, Orçamento e Gestão, Bruno Passeli, e pela representante da Aplena-BH, Júnia Márcia Bueno Neves, detalha os principais pontos da proposta: reajuste de 2,49% nos salários e benefícios a partir de maio de 2025, aumento do vale-refeição para R$ 60,00, ampliação da tabela de progressão até o 16º nível e novos valores para ajuda de alimentação. O documento também prevê que a associação não poderá realizar paralisações ou greves relacionadas à negociação salarial de 2025.

A condução da negociação e a inclusão da cláusula de restrição à interlocução com vereadores aumentaram a tensão entre os poderes. Parlamentares avaliam que a Câmara pode adotar uma postura mais crítica quando o projeto chegar para análise, com possibilidade de retaliações ao Executivo.

O episódio também preocupa outras categorias do funcionalismo, como os trabalhadores da educação, que seguem em greve e temem a adoção de medidas semelhantes em futuras negociações.

A expectativa é que o projeto de lei seja enviado à Câmara nas próximas semanas.

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