André Janones negocia mudança de partido e já tem destino favorito para 2026

De saída do Avante, deputado deve migrar para partido da base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva
O deputado federal André Janones
Janones está na mira do PDT. Foto: Lula Marques/Agência Brasil

Suspenso cautelarmente da Câmara, o deputado federal André Janones (Avante-MG) tem conversas avançadas com o PDT para mudar de partido. O Fator apurou que o parlamentar e o presidente nacional da legenda, Carlos Lupi, já conversaram sobre o assunto em mais de uma agenda. Em outra frente, setores do PT já sinalizaram o desejo de filiar Janones.

Além do PT e do PDT, a Rede Sustentabilidade também abriu as portas para Janones. 

A informação sobre as possibilidades partidárias de Janones foi inicialmente publicada pelo jornalista Lauro Jardim, de O Globo. A reportagem avançou no tema e soube que o favoritismo é do PDT.

A possibilidade de perder o ex-presidenciável Ciro Gomes faz os trabalhistas trabalharem em prol da filiação de quadros considerados de bom engajamento na comunicação digital. O entendimento é que Janones cumpre o requisito e pode, adicionalmente, abrir frentes de diálogo com eleitores jovens.

Em 2022, Janones ensaiou uma candidatura à Presidência da República, mas abriu mão para apoiar Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A decisão levou o Avante para a coligação de Lula, que, de quebra, ainda ganhou o apoio do Agir, que já havia acertado a adesão à chapa do deputado mineiro.

Caso a filiação de Janones ao PDT se confirme, ele será colega de partido de Alexandre Kalil, ex-prefeito de Belo Horizonte. Kalil acertou o ingresso nas fileiras trabalhistas no início do mês. Assim como no caso de Janones, as tratativas aconteceram com Carlos Lupi.

PT segue alerta

Embora esteja atrás na corrida pelo deputado, o PT nacional compartilha do cálculo pedetista sobre uma possível chegada de Janones: a possibilidade de atrair atenção nas redes sociais. Na percepção de correligionários de Lula, há um plus: o mineiro seria um ativo importante para debates com o principal nome da direita nas redes, o de Nikolas Ferreira (PL-MG). 

Janones retoma o mandato em 16 de outubro, após cumprir a suspensão cautelar de 90 dias determinada pelo Conselho de Ética da Câmara. O afastamento foi decidido em julho, depois de um episódio ocorrido no dia 9 daquele mês, durante sessão plenária.

Parlamentares do PL acusaram Janones de atrapalhar o discurso de Nikolas e de ter feito declarações homofóbicas contra o colega. A representação foi feita pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), a partir de denúncia do líder do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ). 

Na defesa, protocolada em 21 páginas, Janones alega falta de imparcialidade de membros da comissão e pede o afastamento de três integrantes do colegiado. O parlamentar responde a outras cinco representações no Conselho de Ética. Todas foram apresentadas pelo PL.

A iminente troca de legenda de André Janones só poderá acontecer na janela partidária do primeiro semestre do ano que vem. O período, ainda não divulgado pela Justiça Eleitoral, serve para que deputados federais, senadores e deputados estaduais interessados em aparecer nas urnas possam se transferir de partido sem risco de perder o mandato.

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