O envio de equipes de distribuidoras, como a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), para apoiar a Enel no restabelecimento do fornecimento de energia em São Paulo não foi automático, nem imediato. A definição inicial foi preservar as estruturas das concessionárias em seus estados de origem, que também sofreram com temporais. O entendimento mudou após diagnóstico feito pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
A crise teve início na quarta-feira (10), quando um ciclone extratropical deixou mais de 2 milhões de consumidores sem energia na Grande São Paulo. O apagão se estendeu por dias, elevando a pressão sobre a concessionária responsável pela área.
Diante do quadro, a Aneel convocou uma reunião com distribuidoras das regiões Sul e Sudeste, como Cemig, Light, CPFL e Elektro, para avaliar a possibilidade de apoio externo. No encontro, as empresas apresentaram dados sobre as próprias áreas de concessão e relataram um cenário adverso, com aumento de ocorrências provocadas por chuvas intensas e ventos fortes.
As empresas alertaram que o deslocamento de profissionais e equipamentos poderia comprometer o atendimento local. A avaliação foi acolhida pela Aneel, que optou, inicialmente, por não exigir o envio de reforços a São Paulo.
A mudança de posição ocorreu após vistoria técnica da Aneel indicar que a recomposição do sistema pela Enel avançava em ritmo inferior ao esperado.
Com o diagnóstico, a Agência orientou o envio imediato de equipes de outras distribuidoras, mesmo diante das restrições logísticas e operacionais anteriormente informadas.
A Enel informou ter mobilizado um número recorde de profissionais em campo e atribuiu as dificuldades às condições meteorológicas adversas, que teriam provocado novas falhas enquanto os trabalhos de restabelecimento estavam em andamento.