Embora o modelo de privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) proposto pelo governador Romeu Zema (Novo) contemple um cenário sem acordo com um parceiro de referência e, consequentemente, a possibilidade de venda total das ações ligadas ao Executivo, isso não deve acontecer. O Fator apurou que o Palácio Tiradentes vê grande interesse do mercado na compra, por ao menos um investidor, de uma fatia relevante dos títulos da companhia. Caso isso se concretize, o estado manterá 5% do capital acionário.
A confiança por um acordo com um parceiro estratégico está alicerçada em sinais de empresas do setor de saneamento sobre o desejo de entrar na operação da Copasa. Em julho do ano passado, por exemplo, o CEO da Aegea, Radamés Casseb, afirmou publicamente que a companhia possuía interesse em participar do leilão promovido pela estatal mineira.
Atualmente, Minas Gerais possui 50,03% da Copasa. A expectativa da equipe de Zema é arrecadar ao menos R$ 4 bilhões com a negociação de parte de suas ações. A entrada direta da verba será possível porque a modelagem prevê a realização de uma oferta secundária, em que os recursos oriundos da transação vão para o caixa do vendedor, e não para os cofres da empresa.
A ideia de encontrar um investidor de referência para a Copasa foi antecipada por O Fator em outubro do ano passado. O modelo permite que outra parte das ações seja negociada em separado.
Aval pendente
O plano do governo estadual para a Copasa foi apresentado à cúpula da companhia na quarta-feira (28). No dia seguinte, o Conselho de Administração aprovou o desenho. Falta, entretanto, o aval dos atuais acionistas. A assembleia geral que debaterá o assunto foi marcada para 23 de fevereiro.
Pela proposta encaminhada à assembleia, um eventual parceiro de referência ficará com 30% da Copasa. O Executivo, contudo, terá uma ação ordinária transformada em ação preferencial, a chamada golden share, ganhando a prerrogativa de veto em decisões estratégicas.
