O advogado-geral da União, Jorge Messias, guarda algumas cartas na manga caso precise convencer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de que é o nome mais preparado para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF). Isso, principalmente, se a disputa se afunilar entre ele o senador mineiro Rodrigo Pacheco (PSD).
A vaga na Corte foi aberta após o ministro Luís Roberto Barroso anunciar, na quinta-feira (9), sua aposentadoria antecipada. A decisão, já esperada nos meios jurídico e político, deu início à corrida pela cadeira que será preenchida por indicação do petista. Além de Messias e Pacheco, aparece no páreo o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Bruno Dantas.
O principal ativo de Messias, segundo fontes ouvidas por O Fator, é o histórico dele com Lula e nomes da cúpula do PT. O AGU é lembrado como alguém que esteve ao lado da ex-presidente Dilma Rousseff durante o processo de impeachment, atuou também durante a época em que o petista esteve preso e é um nome de confiança no partido, servindo como conselheiro.
Além disso, Messias conta com um fator eleitoral a seu favor. Lula já declarou, em diversas ocasiões, o desejo de ter Pacheco como seu palanque em Minas Gerais na disputa pelo governo do estado em 2026. No momento, o PT não dispõe de outra alternativa viável no estado, e também faltam nomes competitivos da esquerda que despertem a confiança do presidente.
O estado é visto como chave em um processo eleitoral. Desde a redemocratização, todos os candidatos que venceram em Minas também conquistaram a Presidência da República. Atento a esse histórico, Lula intensificou sua presença em território mineiro. Somente em 2025, o presidente cumpriu sete agendas no estado, que incluíram compromissos em dez municípios.
Pacheco de outro lado
O senador Rodrigo Pacheco, por outro lado, conta com o apoio de dois nomes de peso do STF na disputa por uma vaga na Corte: o decano Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes. Outro articulador central nesse movimento é o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), amigo de longa data do parlamentar.
Como mostrou O Fator, ele fez chegar a interlocutores do governo Lula que ele vai atuar de forma ativa pela indicação e estaria disposto, inclusive, a reagir caso o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) opte por outro nome. Uma das possíveis formas de pressão seria segurar a tramitação da indicação no Senado até 2027.