O deputado estadual Cristiano Caporezzo (PL-MG), que no ano passado anunciou a pré-candidatura ao Senado Federal, vai concorrer à Câmara dos Deputados. O recálculo de rota já vinha sendo aventado nas últimas semanas e foi oficializado nesta quarta-feira (1°), durante reunião entre o parlamentar e caciques do PL. A intenção dele é ser uma espécie de porta-voz da família Bolsonaro na Câmara.
A O Fator, Caporezzo afirmou que vem mantendo “diálogo constante” com o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro e com o vereador Jair Renan Bolsonaro (PL), que atua em Balneário Camboriú (SC). Segundo ele, a decisão de concorrer à Câmara foi tomada com o apoio do núcleo ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Um time onde todos querem ser artilheiros dificilmente vence. É preciso saber jogar em equipe, reconhecer posições e atuar com inteligência para alcançar objetivos maiores, não pessoais, mas sim, aqueles que são melhores para o bem do nosso povo”, pontuou.
A pré-candidatura de Caporezzo ao Senado vinha sendo defendida, sobretudo, por setores mais ideológicos do PL. O movimento era tratado com ceticismo por outra ala do partido, visto que o presidente estadual da legenda, o deputado federal Domingos Sávio, também almeja uma vaga na Câmara Alta do Congresso Nacional e uma chapa dupla dificultaria o objetivo de formar alianças em prol de um palanque regional ao projeto presidencial do senador Flávio Bolsonaro (RJ).
Cenário embaralhado
Nessa terça-feira (31), Domingos Sávio afirmou a O Fator que a filiação ao PSD do senador e pré-candidato à reeleição Carlos Viana não altera seus planos eleitorais.
O PSD é a agremiação do governador Mateus Simões, que buscará renovar o mandato e já havia sinalizado ao PL a possibilidade de indicar um candidato a senador em sua chapa, formando dobradinha com o secretário de Estado de Governo, Marcelo Aro, do PP.
“Quanto a (uma) composição para o governo do estado, realmente isso precisa ser avaliado, pois composição para o governo pressupõe que ocorra compartilhamento entre os partidos dos cargos majoritários. O PL é um partido de expressão nacional e seguramente terá uma participação decisiva na eleição de Minas, podendo se coligar ou lançar candidatura própria”, assinalou.
O PL só deve avançar nos debates sobre os rumos que tomará na disputa majoritária após o término da janela partidária, em 3 de abril. À mesa, além da hipótese de aliança com Mateus Simões, há a possibilidade de composição com o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos). O parlamentar, contudo, não bateu o martelo sobre concorrer ao governo.
Um terceiro caminho é a apresentação de uma candidatura própria ao Palácio Tiradentes. Nesse cenário, aparece o nome do presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe, recém-filiado ao PL.
O embaralhamento das peças dispostas no tabuleiro mineiro é reconhecido inclusive por Mateus Simões. Ontem, ao comentar o embarque de Viana no PSD, o governador avaliou a entrada de Roscoe no PL como um movimento que indica a disposição dos correligionários de Jair Bolsonaro de montar uma chapa própria.
“Se ele (Viana) se filiar, tenho uma segunda vaga ao Senado, que a gente estava discutindo com o PL, mas o PL, aparentemente, está filiando um candidato a governador nesta semana. Isso está me parecendo que o PL está dizendo que não tem interesse, neste momento, na composição. Daqui até a eleição tem muito tempo. Pode acontecer muita coisa. Mas a vinda do Viana não significa nada além do fato de que a gente teria um segundo candidato ao Senado”, diagnosticou.
