Caporezzo retira pré-candidatura ao Senado, vai disputar vaga na Câmara e quer ser ‘porta-voz’ dos Bolsonaro

Deputado estadual anunciou no ano passado a intenção de concorrer à Casa Alta
O deputado Cristiano Caporezzo
Caporezzo mirava o Senado, mas vai disputar a Câmara. Foto: Daniel Protzner/ALMG

O deputado estadual Cristiano Caporezzo (PL-MG), que no ano passado anunciou a pré-candidatura ao Senado Federal, vai concorrer à Câmara dos Deputados. O recálculo de rota já vinha sendo aventado nas últimas semanas e foi oficializado nesta quarta-feira (1°), durante reunião entre o parlamentar e caciques do PL. A intenção dele é ser uma espécie de porta-voz da família Bolsonaro na Câmara.

A O Fator, Caporezzo afirmou que vem mantendo “diálogo constante” com o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro e com o vereador Jair Renan Bolsonaro (PL), que atua em Balneário Camboriú (SC). Segundo ele, a decisão de concorrer à Câmara foi tomada com o apoio do núcleo ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

“Um time onde todos querem ser artilheiros dificilmente vence. É preciso saber jogar em equipe, reconhecer posições e atuar com inteligência para alcançar objetivos maiores, não pessoais, mas sim, aqueles que são melhores para o bem do nosso povo”, pontuou.

A pré-candidatura de Caporezzo ao Senado vinha sendo defendida, sobretudo, por setores mais ideológicos do PL. O movimento era tratado com ceticismo por outra ala do partido, visto que o presidente estadual da legenda, o deputado federal Domingos Sávio, também almeja uma vaga na Câmara Alta do Congresso Nacional e uma chapa dupla dificultaria o objetivo de formar alianças em prol de um palanque regional ao projeto presidencial do senador Flávio Bolsonaro (RJ).

Cenário embaralhado

Nessa terça-feira (31), Domingos Sávio afirmou a O Fator que a filiação ao PSD do senador e pré-candidato à reeleição Carlos Viana não altera seus planos eleitorais

O PSD é a agremiação do governador Mateus Simões, que buscará renovar o mandato e já havia sinalizado ao PL a possibilidade de indicar um candidato a senador em sua chapa, formando dobradinha com o secretário de Estado de Governo, Marcelo Aro, do PP.

“Quanto a (uma) composição para o governo do estado, realmente isso precisa ser avaliado, pois composição para o governo pressupõe que ocorra compartilhamento entre os partidos dos cargos majoritários. O PL é um partido de expressão nacional e seguramente terá uma participação decisiva na eleição de Minas, podendo se coligar ou lançar candidatura própria”, assinalou.

O PL só deve avançar nos debates sobre os rumos que tomará na disputa majoritária após o término da janela partidária, em 3 de abril. À mesa, além da hipótese de aliança com Mateus Simões, há a possibilidade de composição com o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos). O parlamentar, contudo, não bateu o martelo sobre concorrer ao governo.

Um terceiro caminho é a apresentação de uma candidatura própria ao Palácio Tiradentes. Nesse cenário, aparece o nome do presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe, recém-filiado ao PL.

O embaralhamento das peças dispostas no tabuleiro mineiro é reconhecido inclusive por Mateus Simões. Ontem, ao comentar o embarque de Viana no PSD, o governador avaliou a entrada de Roscoe no PL como um movimento que indica a disposição dos correligionários de Jair Bolsonaro de montar uma chapa própria.

“Se ele (Viana) se filiar, tenho uma segunda vaga ao Senado, que a gente estava discutindo com o PL, mas o PL, aparentemente, está filiando um candidato a governador nesta semana. Isso está me parecendo que o PL está dizendo que não tem interesse, neste momento, na composição. Daqui até a eleição tem muito tempo. Pode acontecer muita coisa. Mas a vinda do Viana não significa nada além do fato de que a gente teria um segundo candidato ao Senado”, diagnosticou.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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