Carta de renúncia de Zema tem críticas ao PT e dá prévia de postura na pré-campanha ao Planalto

Governador compara o cenário atual do país ao ambiente que, segundo ele, o levou a disputar o Palácio Tiradentes em 2018
Romeu Zema na posse em 1º de janeiro de 2023
Romeu Zema tomou posse em 1º de janeiro de 2023. Foto: Gil Leonardi/Agência Minas

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), usou a carta de renúncia ao cargo para fazer um movimento além do protocolo de despedida: amarrar formalmente a saída do Palácio Tiradentes ao discurso de pré-candidato à Presidência da República. No texto, encaminhado à Assembleia Legislativa, ele diz ser “um brasileiro comum” capaz de solucionar problemas que enxerga na conjuntura nacional.

“Sinto, portanto, que chegou o momento de retribuir ainda mais ao Brasil tudo aquilo que ele deu à minha família”, diz.

A carta foi publicada no Diário do Legislativo desta quinta-feira (19).

Inicialmente, Zema afirma ter encontrado um “estado desorganizado” e “incapaz de pagar seus servidores em dia”.

A novidade aparece quando o governador transpõe esse diagnóstico para o país. “O mesmo sentimento que me levou a disputar as eleições em Minas em 2018 também fala alto neste momento em relação ao Brasil. Vejo um país novamente tomado pela indignação. Escândalos de corrupção se sucedem. Uma turma de intocáveis tenta se blindar e se colocar acima do povo”, escreve.

Zema diz, ainda, que o governo do PT “parece cada vez mais voltado para si mesmo”, afirma que o dinheiro do brasileiro “vale cada vez menos” e compara o ambiente do país ao de Minas antes da sua eleição.

Em outro momento, o governador exalta a parceria com o vice Mateus Simões (PSD), que recebe o bastão de governador e é pré-candidato ao governo do estado.

“É com esse espírito de serviço que deixo o governo de Minas Gerais. Tenho plena confiança de que o vice-governador Mateus Simões dará continuidade ao trabalho que iniciamos juntos e seguirá conduzindo Minas com seriedade, responsabilidade e compromisso com os mineiros”, prossegue.

Quando ele deixa o cargo

Zema deixa o cargo no domingo (22). A transmissão de cargo a Simões terá dois atos. O primeiro será na Assembleia Legislativa, onde apenas Simões falará. O segundo ocorre no Palácio da Liberdade, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, com discursos dos dois.

Como mostrou O Fator, a cerimônia virou um cabo de guerra entre prefeitos aliados a Simões e integrantes do partido do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), que avalia concorrer ao Palácio Tiradentes. Embora não haja orientação formal da sigla, alguns integrantes tentam boicotar o evento, em uma disputa por espaço.

O grupo do vice quer transformar a transmissão de cargo em largada política. Aliados de outros campos da base governista tentam evitar que a imagem fique excessivamente concentrada em um único projeto.

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