O exame financeiro que colocou em R$ 4,5 bilhões o valor de mercado da Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais, a Codemge, considerou imóveis invadidos como ativos da empresa. O valuation, divulgado na sexta-feira (14), diz que as edificações e terrenos pertencentes à Codemge valem cerca de R$ 1,9 bilhão.
A relação de imóveis tem dois lotes invadidos localizados no distrito industrial do Jatobá, no Barreiro, em Belo Horizonte. A listagem ainda cita lotes invadidos em outras localizações de BH, de Betim e de Sete Lagoas — na Região Metropolitana e na Região Central, respectivamente.
Há, ainda, um terreno invadido no distrito industrial de Conselheiro Lafaiete, na Região Central.
Procurada por O Fator, a Codemge informou ter incluído os lotes ocupados irregularmente em sua relação de propriedades porque as localidades compõem o balanço patrimonial e, por isso, são parte do valor de mercado da empresa.
“Em relação às ocupações, a Companhia informa que adota as medidas judiciais e extrajudiciais cabíveis, considerando a situação fática, a natureza e o histórico de cada área”, indicou a empresa, dona de 5% das ações da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig), uma das responsáveis pela exploração do nióbio de Araxá, no Alto Paranaíba.
A Codemge foi oferecida pelo governador Romeu Zema (Novo) à União no âmbito do Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag). O Palácio Tiradentes deseja entregar o controle da empresa ao governo federal como forma de abater parte da dívida pública, hoje superior a R$ 175 bilhões.
Empresa tem Minascentro e Expominas
O rol patrimonial da Codemge ainda conta com dois dos mais importantes centros de convenções de BH: o Minascentro e o Expominas, que também tem unidades em Juiz de Fora (Zona da Mata) e São João del Rei (Vertentes).
Ainda na capital mineira, a empresa é dona de lotes nos arredores da Cidade Administrativa, de salas comerciais e do edifício do antigo Banco do Estado de Minas Gerais (Bemge), na Praça Sete.
Em Araxá, coração da exploração minerária da Codemig, a ex-controladora da estatal tem, além das jazidas de nióbio, reservas de apatita, exploradas pela Mosaic.
Com 100% da Codemig, empresa valeria R$ 36,5 bi
A Codemge é originária da cisão da Codemig, em 2018. De sua criação até o início deste mês, a companhia detinha 51% das ações da empresa responsável pela exploração do nióbio, com os outros 49% pertencendo ao governo de Minas Gerais.
Na semana retrasada, contudo, uma assembleia extraordinária modificou a composição do capital da Codemig. Os papéis do Executivo estadual passaram a corresponder a 95% do total de títulos, enquanto a Codemge ficou com 5%. O valuation de R$ 4,5 bilhões, portanto, considera o percentual minoritário.
Em um eventual cenário com 100% do bolo acionário da Codemig, a Codemge valeria R$ 36,5 bilhões. Com 50% da estatal — índice próximo ao detido antes do repasse de ações ao governo mineiro —, a empresa valeria R$ 19,7 bilhões.
Quanto vale a Codemig?
Ainda conforme o laudo de avaliação da Codemge, a totalidade dos títulos da Codemig possui valor de mercado de R$ 33,6 bilhões. Assim, os 5% valem R$ 1,6 bilhão.
A diminuição da participação da Codemge na Codemig faz parte da estratégia da equipe de Zema de manter o nióbio sob controle do estado mesmo em caso de federalizações em massa na esteira do Propag.
Em termos práticos, trata-se de uma nova tentativa de transferir uma fatia minoritária da Codemig à União porque, como revelou O Fator em agosto, a equipe de Zema propôs a modelagem.
A Secretaria do Tesouro Nacional (STN), entretanto, recusou a hipótese por entender que o decreto que regulamentou o Propag só permite a incorporação de parcelas minoritárias de sociedades anônimas com presença na Bolsa de Valores — o que não é o caso da estatal mineira, que tem capital fechado.
Agora, o governo mineiro ofereceu ao Palácio do Planalto a dação de 100% da Codemge, em um pacote que inclui os 5% da empresa na Codemig.
No ofício enviado à STN para formalizar o pedido de adesão ao Propag — e, consequentemente, a proposta envolvendo a Codemge —, Zema e o vice-governador Mateus Simões (PSD) afirmam que o percentual empresa na Codemig pode crescer em caso de modificar a proposta de renegociação do saldo devedor.
