O ex-presidente Fernando Collor, preso na madrugada desta sexta (25), foi condenado por crimes cometidos entre 2010 e 2014, durante o segundo mandato de Lula e o primeiro de Dilma e “em troca de apoio político” a esses governos.
A denúncia foi apresentada em agosto de 2015 pelo então Procurador-Geral, Rodrigo Janot. As descobertas que levaram à prisão de Collor vieram à tona com a Lava Jato, citada 12 vezes no texto.
Collor era senador na época dos fatos. Não era ministro nem exercia cargo em estatal. Portanto, ele só poderia ter influência em empresas como a então BR Distribuidora se o poder fosse delegado a ele pelo Executivo.
A denúncia de Janot é claríssima: “Na condição de Senador pelo Partido Trabalhista Brasileiro do Estado de Alagoas – PTB/AL, por volta do ano de 2009, em troca de apoio político à base governista no Congresso Nacional, obteve ascendência sobre a Petrobras Distribuidora S/A – BR DISTRIBUIDORA”.
Janot acrescenta, entre as muitas provas, um registro de entrada de Collor no prédio da BR Distribuidora, em junho de 2010.

Janot também contou o seguinte:
“As apurações levadas a efeito no caso conduziram à constatação de que, pelo menos entre os anos de 2010 e 2014, funcionou no âmbito da BR DISTRIBUIDORA uma organização criminosa preordenada principalmente ao desvio de recursos em proveito particular, à corrupção de agentes públicos e à lavagem de dinheiro. Isso ocorreu essencialmente em razão da influência, sobre a sociedade de economia mista em questão, do Partido Trabalhista Brasileiro – PTB, em especial de seu Senador pelo Estado de Alagoas, FERNANDO AFFONSO COLLOR DE MELLO, bem como de. seu amigo pessoal e “operador particular”, PEDRO PAULO BERGAMASCHI DE LEONI RAMOS”.
Na decisão de ontem à noite, Alexandre de Moraes também determinou o início do cumprimento da pena de Pedro de Leoni Ramos, condenado a quatro anos e um mês de reclusão, em regime inicial semiaberto.
Janot acrescentou na denúncia que a influência de Collor sobre a BR Distribuidora era fato “notório” pelo menos desde 2010, bem antes da Lava Jato. “A situação foi inclusive objeto de referência em debate durante a campanha presidencial nas eleições de 2010, rendendo matérias jornalísticas”.
O engenheiro Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras e primeiro delator da Lava Jato, contou sobre Collor que “ouvia dizer que ele tinha muita influência política na BR Distribuidora”. Costa faleceu em 2022. Nestor Cerveró também testemunhou sobre a influência de Collor na estatal.
Na noite de quinta (24), logo após a ordem de Moraes para prender Collor, o senador Sergio Moro (União Brasil-PR) questionou no Twitter: “Quem será que entregou a BR Distribuidora para o Collor?”.
Os nomes de Lula e Dilma não são citados na denúncia de Janot. Quando saiu a ordem de prisão de Collor, Lula e Dilma estavam a caminho do Vaticano.
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