O Consórcio Construtor Linha Verde, que tem a empreiteira Nova Engevix como uma das participantes, lidera a “lista suja” do trabalho análogo à escravidão em Minas Gerais. Um levantamento de O Fator a partir de dados divulgados nessa quarta-feira (9) pelo governo federal mostra que fiscais do Ministério do Trabalho já identificaram 110 profissionais ligados ao grupo atuando em condições precárias.
A Nova Engevix, do Consórcio Linha Verde, adotou o nome em 2019, após um redesenho de marca. Antes, se chamava apenas Engevix. Em 2015, o Ministério Público Federal (MPF) ajuizou ação contra a construtora no âmbito da Operação Lava-Jato.
Segundo o relatório, os trabalhadores envolvidos foram encontrados nos alojamentos do consórcio em e Conselheiro Pena e Governador Valadares, no Vale do Rio Doce. A atualização da “lista suja” menciona 153 firmas com sede no estado. Juntas, as companhias já abrigaram 1.438 empregados em situação análoga à escravidão.
Engevix e Lava-Jato
Na ação de 2015, o MPF apontou a participação de dirigentes da Engevix em atos de improbidade em contratos ligados à Petrobras. Em 2019, a empresa fechou um acordo de leniência superior a R$ 500 milhões. Em troca, ganhou o direito de voltar a disputar licitações.
No ano seguinte, a Justiça chegou a determinar o bloqueio de R$ 300 milhões em bens da empresa. O executivo Gerson de Mello Almada, ex-vice-presidente da companhia, também foi alvo de um pedido de bloqueio financeiro.
Em 2024, aliás, Almada acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a anulação de suas condenações no âmbito da Lava-Jato. Em uma das sentenças, proferida na segunda instância em 2019, o executivo recebeu pena de 34 anos de prisão. Ele está solto desde 2019.
Ao pedir a anulação, Almada se amparou na decisão da Suprema Corte que revogou todos os atos processuais do ex-juiz Sergio Moro no processo envolvendo o ex-ministro José Dirceu (PT).
Posicionamento da Nova Engevix
Em nota, a Nova Engevix afirmou que, dos 110 trabalhadores envolvidos na fiscalização, 70 foram recontratados pelo consórcio após o reparo das irregularidades detectadas pelo Ministério do Trabalho. Segundo a empresa, as atividades em Valadares foram acompanhadas “de perto” pelos órgãos de controle.
“A obra foi acompanhada de perto pelos órgãos de controle e, em uma única ocasião, durante uma fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego, em março de 2023, foram alegadas supostas inconsistências, relativas à baixa ventilação em dois alojamentos. O Consórcio firmou um Termo de Ajustamento de Conduta com o Ministério Público do Trabalho, cumprindo com todas as exigências. Além disso, dos 110 profissionais desligados naquela ocasião, 91 demonstraram interesse e 70 foram recontratados pelo Consórcio”, informou a empresa.
“Ao final de 2023, foi entregue a obra, resultando em uma linha de transmissão de 500 kV entre Governador Valadares e Mutum, um projeto essencial para melhorar a eficiência, a segurança e a sustentabilidade da rede elétrica brasileira, além de aproveitar melhor o potencial de produção de fontes renováveis Foi mais uma importante contribuição para a infraestrutura, realizada por empresas de tradição e comprometimento com os mais elevados padrões de governança e compliance, com a sociedade e com o desenvolvimento do Brasil”, completou.
