Sob Propag, MG pagou R$ 1 bilhão em empréstimos; banco suíço recebeu mais da metade

Governo estadual quitou fatia considerável de dívida com o Credit Suisse, contraída em prol de renegociação com a Cemig em 2012
Zema em evento do UBS
UBS é o controlador do Credit Suisse, a quem Minas pagou R$ 709.5 milhões. Foto: Paulo Vitor Vargas/Digital MG

O governo de Minas Gerais pagou, entre janeiro e março deste ano, cerca de R$ 1 bilhão em parcelas de empréstimos que possuem garantias da União. 

Segundo levantamento da Advocacia-Geral do Estado (AGE-MG) obtido por O Fator, R$ 709,5 milhões foram destinados a cobrir parte de uma operação de crédito firmada em 2012, na gestão de Antonio Anastasia, junto ao Credit Suisse. O banco suíço, que no ano retrasado foi incorporado à estrutura do UBS, do mesmo país, emprestou os recursos para ajudar a reestruturar uma dívida do Executivo estadual junto à Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig).

O material da AGE-MG sobre os empréstimos foi enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) nessa quinta-feira (19), no âmbito da decisão que suspendeu, por 180 dias, a ação sobre a renegociação da dívida mineira sob os moldes do Regime de Recuperação Fiscal (RRF).

Os empréstimos voltaram a ser quitados em 2026 por causa da adesão ao Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag), sucessor do RRF. Uma das condições do programa é a retomada do repasse de prestações de débitos em que a União é avalista.

Antes do repasse ao Credit Suisse, a dívida com o banco sediado em Zurique estava em R$ 2,03 bilhões. O segundo contrato que mais recebeu recursos neste ano tem o Banco do Brasil como signatário. Em janeiro, o Palácio Tiradentes repassou R$ 163,8 milhões ao BB, a fim de amortizar um débito ligado ao fomento ao Programa de Infraestrutura Rodoviária (Proir). No início do ano, esse passivo era de aproximadamente R$ 1,4 bilhão.

Dez contratos

Ao todo, o R$ 1 bilhão destinado a quitar as dívidas de empréstimos foi dividido entre 10 contratos. A lista de beneficiários do montante tem, por exemplo, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que recebeu mais de R$ 34 milhões por ocasião de dois contratos.

Ao Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD), por sua vez, foram transferidos R$ 89 milhões, na esteira de acordo fechado em 2010 para a execução de políticas públicas citadas no Plano Mineiro de Desenvolvimento Integrado (PMDI). 

Valores referentes a empréstimos pagos por minas em 2026 (em cifras aproximadas)

  • Janeiro: R$ 177,6 milhões;
  • Fevereiro: R$ 738,5 milhões;
  • Março: 102,3 milhões;
  • Total: 1,018 bilhão.

O outro impacto da dívida com o Credit Suisse 

O acordo entre Minas e Credit Suisse por causa da Cemig foi fechado em 2012. À ocasião, como garantia da operação de crédito, o banco suíço recebeu parte das ações detidas pela Minas Gerais Participações S/A (MGI) na energética. 

O caso também está relacionado ao Propag, porque o governador Romeu Zema (Novo) incluiu a MGI, avaliada em R$ 1,2 bilhão, na lista de bens que podem ser repassados à União como forma de abater a dívida de cerca de R$ 179,3 bilhões junto ao Tesouro Nacional. 

No entanto, quando sancionou a lei de federalização da MGI, em dezembro, Zema vetou artigo inserido pelos deputados estaduais barrando o repasse da empresa caso o peso financeiro das ações da companhia na Cemig fosse maior que seu valor completo de mercado. Nesta semana, o veto acabou derrubado pela Assembleia Legislativa (ALMG).

Considerando títulos emprestados ao Credit Suisse como garantia de um empréstimo feito pela administração estadual em 2012, a MGI possui 5,97% dos títulos da Cemig. Sem a parcela sob posse do banco estrangeiro, a participação acionária é de cerca de 1%.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

Fransciny Ferreira é jornalista, com especialização no setor público e em gestão de imagem. Atuou na cobertura política, com experiência em redações, assessoria de imprensa e marketing digital. Foi editora-chefe de O Tempo em Brasília, integrou a assessoria da Presidência do Senado e liderou estratégias de PR no setor farmacêutico.
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