A divulgação de uma nota falsamente atribuída às executivas mineiras de PT, PCdoB, PV e PSB com críticas ao ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), deflagrou uma força-tarefa entre os partidos para conter o mal-estar. A O Fator, a deputada estadual Leninha, presidente do diretório petista, disse ter conversado com Silveira a fim de negar a autoria do texto, que outros dirigentes suspeitam ter sido produzido por forças à direita com o objetivo de confundir a militância das legendas.
Segundo Leninha, o diálogo com Silveira serviu para “reafirmar o compromisso do governo com o presidente Lula e esclarecer sobre as instâncias de avaliação e encaminhamento”.
O documento inverídico protesta contra declarações de Silveira sobre o governador e correligionário Mateus Simões, a quem definiu como “muito preparado” e “muito decente”.
Intitulada “Manifesto pela lealdade e pelo projeto político de Minas e do Brasil”, a falsa nota afirma que Silveira “tem agido de forma deliberada para minar a estratégia política do governo federal em Minas Gerais”. O material cita a tentativa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de emplacar a candidatura do senador Rodrigo Pacheco (PSB) como oposição à tentativa de reeleição de Simões.
“Isso parece obra da direita tentando criar uma resistência que nunca existiu a um ministro de Lula que sempre atendeu às demandas dos nossos quadros em Minas. No PT, ninguém joga pedra e esconde a mão”, reagiu o presidente do PT de Belo Horizonte, Guilherme Jardim, o Guima.
Integrantes da cúpula do PSB, sigla de Pacheco e do vice-presidente Geraldo Alckmin, também rechaçam ter participado da construção da nota. Os pessebistas pretendem divulgar um desagravo ainda nesta segunda-feira (13).
Embora a nota seja falsa, houve incômodo com as declarações de Silveira. Como O Fator mostrou na semana passada, as falas foram interpretadas como inoportunas, sobretudo por causa da possibilidade de Pacheco concorrer ao Palácio Tiradentes.
Manutenção estratégica
Como mostrou O Fator, a decisão de Silveira de permanecer no PSD foi articulada com a participação de Lula. Próximo politicamente ao presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab, o ministro terá papel central em um eventual segundo turno entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Aliados do presidente da República avaliam que Silveira terá condições de levar outras lideranças nacionais do partido a apoiar oficialmente a reeleição do presidente.
O PSD tem como pré-candidato à Presidência da República o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado.