Uma crise entre o governador Mateus Simões (PSD) e a deputada estadual Alê Portela (PL) está por trás das nove exonerações da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese) nesta quarta-feira (30). Segundo fontes informaram a O Fator, mais demissões devem acontecer nos próximos dias.
Entre os demitidos está o secretário adjunto da Sedese, Ricardo Assis Alves Dutra, que chegou a assumir interinamente o comando do órgão quando Alê Portela deixou o governo para retornar à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) para disputar a reeleição.
Além das exonerações, o Diário Oficial do Estado trouxe oito revogações de gratificações financeiras concedidas a servidores da pasta.
De acordo com pessoas ligadas à deputada Alê Portela, que conversaram com a reportagem sob reserva, o rompimento partiu de um conselho dado ao atual governador por aliados.
Segundo essas mesmas fontes, já havia sinais de crise entre as partes quando o governador não compareceu ao lançamento da campanha de Alê Portela no Clube AABB, na Orla da Lagoa da Pampulha, em BH, em agosto. Na mesma ocasião, houve o pontapé inicial da campanha do deputado federal Lincoln Portela (PL-MG), pai da parlamentar da ALMG.
Constrangimento
Fontes ligadas à Sedese também informaram à reportagem que houve um momento de constrangimento protagonizado por uma das pessoas exoneradas por Mateus Simões.
Uma reunião estava marcada para acontecer nessa terça-feira (29), durante o expediente da pasta. No entanto, a servidora em questão, que pertence ao alto escalão da Sedese, não conseguiu acessar a sala virtual onde aconteceria o encontro. Só nesse momento teve ciência de que seria demitida do governo.
Sem peso?
Durante a campanha eleitoral, o ex-deputado estadual Léo Portela, irmão de Alê, manifestou apoio ao senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) na disputa pelo Palácio Tiradentes.
Ainda assim, pessoas ligadas à família Portela negam que houve peso desse apoio do ex-deputado na decisão pelas exonerações em questão.
O entendimento é de que Léo Portela não tem mandato atualmente e, portanto, pode apoiar quem bem entender. Ele foi colega de Cleitinho na Assembleia, entre 2019 e 2023, quando desenvolveram uma relação de amizade.
Por outro lado, fontes ligadas à Sedese avaliam que o apoio público de Léo Portela a Cleitinho já havia criado um clima de incerteza nos indicados por Alê recentemente.