Pré-candidato ao governo de Minas Gerais e vice de Romeu Zema (Novo), Mateus Simões mira o apoio de Jair Bolsonaro (PL) para a eleição do ano que vem e diz que o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), também pré-candidato ao Executivo estadual, “não é da direita”.
As declarações de Simões foram dadas à newsletter Jogo Político, enviada nesta sexta-feira (24) pelo jornal O Globo a assinantes.
“Cleitinho não é um candidato de esquerda, não? Ele já chutou foto do Bolsonaro, defende o fim da jornada 6×1, não quer a responsabilidade fiscal e é a favor dos movimentos sindicais em Minas. Ele é um candidato popular, mas não é da direita. É, no máximo, de alguns bolsonaristas”, afirmou, ressaltando que, apesar das diferenças, tem conversado com o senador sobre a necessidade de unificação das forças mineiras que estão à direita do espectro político.
De saída do Novo para o PSD, Simões garante que, apesar de almejar uma aliança com o PL no ano que vem, não se considera um bolsonarista.
“Não sou (bolsonarista), embora tenha votado e diga que votaria novamente se ele pudesse ser candidato. Bolsonaro deveria estar solto, sou a favor da anistia. Aliás, quero o apoio dele para governador no ano que vem”, pontuou.
O embarque do vice-governador no partido de Gilberto Kassab está marcado para a segunda-feira (27). Ao anunciar, a dirigentes do Novo, a decisão de mudar de legenda, Simões afirmou que tomou a atitude porque enxerga a nova sigla como trunfo importante na busca pela formação de uma coalizão à direita no ano que vem.
Além de PL e Republicanos, A ideia é unir, em uma frente ampla, legendas como PP, União Brasil, Podemos, DC e Solidariedade.
Em busca do ‘PSD de Ratinho’
Ao comentar os posicionamentos do PSD, que compõe a Esplanada dos Ministérios e, paralelamente, faz parte da base de apoio à gestão Zema, Simões afirmou que trabalhará para que o partido seja “cada vez mais” o de “PSD do Ratinho Júnior”, governador paranaense cotado para concorrer à Presidência da República como opositor de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Separo o Mateus em dois. O de 2016, quando entrei na política, era mais programático. Depois que fui para o Executivo passei a ser pragmático. O PSD lançou o Alexandre Kalil contra a gente em 2022, mas quando acabou a eleição eu chamei o partido para conversar, e eles viraram a maior legenda da nossa base. Ir para o partido vai somar na formação de uma coalizão para ganhar em 2026. Sei que há o PSD dos ministérios, do Alexandre Silveira, do Rodrigo Pacheco e do senador Otto Alencar. Mas eu vou trabalhar para cada vez mais sermos o PSD do Ratinho Júnior”, explicou.
Nikolas é trunfo
Além do diálogo com Cleitinho, Simões também tem defendido a formação de uma frente ampla em conversas com o deputado federal Nikolas Ferreira (PL). O parlamentar é cotado para representar a legenda de Jair Bolsonaro na corrida ao Palácio Tiradentes, mas, como O Fator mostrou mais cedo, a decisão dos liberais sobre os rumos a seguir em Minas só será tomada no ano que vem.
A boa relação entre Nikolas e Simões, aliás, é uma das apostas de aliados do vice-governador para atrair o PL à chapa que será encabeçada pelo PSD.
“Tenho convicção que as convergências farão o Nikolas me apoiar. Ele é um fenômeno e será o político mais importante da direita do Brasil um dia”, projetou.
