De Pitangui à Globo: legado de Borjalo é revisitado em exposição na terra natal

Eventos celebrarão o centenário do cartunista que criou a zebrinha da loteria e ajudou a moldar o “padrão Globo de qualidade”
Borjalo morreu no Rio de Janeiro, em 18 de novembro de 2004, aos 79 anos. Foto: Frame de vídeo / TV Globo

A cidade de Pitangui abre nesta quinta (13) e sexta-feira (14) uma série de homenagens ao cartunista Mauro Borja Lopes, o Borjalo, nascido no distrito de Velho da Taipa há exatos 99 anos. O tributo começa com a inauguração do mural “Pitangui ontem e hoje”, na Praça Professor Plínio Malaquias, e prossegue com a exposição “Borjalo — ontem, hoje e sempre”, no Museu Histórico da cidade.

A programação reúne artistas como o muralista Heleno Nunes e os cartunistas Quinho, Lute e Duke, além de autoridades. Os eventos destacam a importância da arte urbana como ferramenta de memória coletiva e resgatam a trajetória de um dos nomes que ajudaram a desenhar — literalmente — a história da comunicação brasileira.

A homenagem teve o apoio e o incentivo da prefeita de Pitangui, Maria Lúcia Cardoso (MDB) e do deputado federal Newton Jr. (MDB).

Primeiros traços

Filho do engenheiro e caricaturista Manoel Antônio Lopes Júnior e de Helena Borja Lopes, Borjalo começou a desenhar ainda menino, usando um canivete para gravar figuras na madeira das carteiras escolares. Tentou o vestibular para Medicina, mas abandonou o curso antes de começar. Seu primeiro emprego foi como laboratorista, até ingressar como desenhista na Secretaria de Agricultura de Minas Gerais.

Em 1946, iniciou a carreira na imprensa como chargista esportivo da Folha de Minas. No ano seguinte, foi contratado pela Gazeta Esportiva e, pouco depois, passou a publicar charges políticas no Diário de Minas, que se opunha ao então governador Milton Campos. Fez mais de 1.500 desenhos, que o tornaram conhecido pelo traço simples e pela ironia seca — muitas vezes, seus personagens nem sequer tinham boca.

Reconhecimento internacional

Nos anos 1950, Borjalo já era um nome de peso na imprensa brasileira. Trabalhou em revistas como A Cigarra, Manchete e O Cruzeiro, e em 1955 foi incluído entre os sete maiores caricaturistas do mundo no Congresso Internacional de Humorismo, na Itália. Pouco depois, teve trabalhos publicados em veículos estrangeiros.

O cartunista romeno Saul Steinberg, radicado nos Estados Unidos, o apontou como um dos cinco maiores do mundo — um reconhecimento raro a um artista brasileiro da época.

Para a TV e o “Plim Plim”

Nos anos 1960, Borjalo migrou para a televisão a convite do jornalista Fernando Barbosa Lima, com quem trabalhou na agência de publicidade Esquire. Juntos, criaram o “Jornal de Vanguarda”, telejornal experimental exibido por emissoras como Excelsior, Tupi e TV Rio, em que Borjalo animava bonecos satirizando figuras públicas.

Em 1966, foi chamado pelo diretor Walter Clark para integrar a TV Globo, onde permaneceria por 36 anos. Participou da criação da vinheta “Plim Plim” e da zebrinha do Fantástico, que anunciava os resultados da loteria esportiva.

Trabalhou ao lado de José Bonifácio de Oliveira Sobrinho (Boni) na implantação do chamado “padrão Globo de qualidade” e dirigiu a Central Globo de Produção, responsável por consolidar a estética da emissora.

Nos bastidores, era visto como um dos profissionais que ajudaram a traduzir a linguagem do humor gráfico para o audiovisual — um elo entre o desenho e a televisão.

Amizade com Ziraldo

Borjalo e Ziraldo, cartunista e escritor mineiro de Caratinga, mantiveram uma amizade longa, iniciada ainda na imprensa de Belo Horizonte. Em 1954, Ziraldo o substituiu na Folha de Minas e, décadas depois, já veteranos, voltaram a se encontrar em O Pasquim 21, projeto comandado pelo amigo. A admiração mútua era recorrente em entrevistas e homenagens.

Borjalo morreu no Rio de Janeiro, em 18 de novembro de 2004, aos 79 anos — poucos dias após o seu aniversário.

Quinta (13/11)
Praça Professor Plínio Malaquias

  • Inauguração do mural “Pitangui ontem e hoje”, com o artista Heleno Nunes
  • Falas de autoridades municipais, estaduais e federais
  • Apresentação “Borjalo — ontem, hoje e sempre” com os cartunistas Quinho, Lute e Duke

Sexta (14/11)
Museu Histórico de Pitangui — Rua José Gonçalves, 41

  • Abertura da exposição “Borjalo — ontem, hoje e sempre”
  • Palestra sobre a história e a importância dos cartuns
  • Coquetel de recepção e visita guiada à mostra

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