O deputado estadual Adalclever Lopes (PSD) firmou um acordo com o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) para pagar R$ 25 mil e deixar de figurar como réu em uma ação que o acusava de ter cometido improbidade administrativa ao atuar pela contratação de uma pesquisa eleitoral quando era secretário de Governo da Prefeitura de Belo Horizonte.
No acordo, Adalclever Lopes reconheceu ter participado de conversas sobre a realização da pesquisa, que avaliava cenários para a eleição ao governo de Minas em 2022. A solicitação da pesquisa foi feita por Alberto Lage, então chefe de gabinete do ex-prefeito Alexandre Kalil, que se preparava para disputar a eleição. O MPMG apontou que, embora não tenha havido benefício econômico direto para Adalclever, sua conduta violou os princípios da moralidade e da impessoalidade ao expor a administração pública a interesses eleitorais privados.
O acordo prevê que o pagamento poderá ser feito em parcela única ou em até 25 vezes de R$ 1 mil. O não cumprimento das obrigações acarretará multa de 1% ao mês sobre o valor inadimplido, além de outras sanções legais, incluindo protesto do título em cartório e possível execução judicial.
O caso integra uma investigação mais ampla sobre supostas irregularidades na contratação de pesquisa eleitoral com recursos públicos. No âmbito criminal, o ex-prefeito Alexandre Kalil permanece como o único réu após a ex-secretária municipal Adriana Branco firmar acordo de não persecução penal com o MPMG. Outros envolvidos, como Alberto Lage e o proprietário da agência publicitária, também celebraram acordos semelhantes e não foram denunciados.
A investigação aponta que a pesquisa, orçada em R$ 60 mil, teria sido custeada por uma empresa contratada pela prefeitura, a partir de solicitação considerada irregular pelo Ministério Público. O processo segue em tramitação na Justiça estadual.