A direção do Cidadania em Minas Gerais será ausência no congresso nacional do partido, marcado para esta quarta-feira (4), em São Bernardo do Campo (SP). O encontro foi convocado no começo de fevereiro pelo presidente em exercício da legenda, o ex-senador Roberto Freire (PE).
O Cidadania mineiro é contra a permanência de Freire no comando do partido. Ele reassumiu a função em dezembro do ano passado, após decisão judicial. A direção estadual da sigla defende o retorno do ex-presidente Comte Bittencourt, cujo grupo fará um congresso virtual na sexta-feira (6). A decisão dos dirigentes de Minas é legitimar a liderança de Comte.
Como O Fator mostrou, a disputa política e jurídica pelo comando do Cidadania tem viés eleitoral. Freire estava licenciado da presidência desde 2023 e vinha criticando a ideia de Comte de formar uma federação com o PSB, partido do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin.
O ex-senador decidiu buscar na Justiça o direito de retornar à presidência para encerrar as tratativas com o PSB. Aliados de Freire tentam uma aliança do Cidadania com partidos mais ligados à centro-direita, como PSD e Republicanos.
As articulações do grupo que detém o comando da sigla são para que o congresso oficialize a eleição do deputado federal Alex Manente (SP) como novo presidente nacional. Somado ao período do antigo PPS, partido do qual surgiu o Cidadania, Roberto Freire ocupa a presidência nacional desde 1992.
Adversários de Freire na disputa interna questionam a autoridade política do presidente em exercício. A reunião do diretório nacional que agendou o congresso desta quarta contou com a participação de pouco mais de 20 dirigentes. A organização do encontro desta sexta, por sua vez, reuniu o apoio de dois terços da direção nacional.