Arquivado, projeto de Zema para federalizar Uemg ficou quase um ano na ALMG, mas não passou por comissões

Texto chegou ao Legislativo em maio do ano passado a reboque do Propag, mas, sem consenso, acabou descartado
O governador Romeu Zema
Federalização da Uemg não ganhou tração na Assembleia. Foto: Cristiano Machado/ALMG

O governador Romeu Zema (Novo) teve formalizado pela Assembleia Legislativa (ALMG), nesta terça-feira (3), o pedido de retirada de tramitação do projeto de lei para a federalização da Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg). O texto, enviado aos deputados estaduais em maio do ano passado, jamais encontrou consenso na Casa. Agora colocada na gaveta, a proposta foi descartada sem ser votada por nenhuma comissão do Parlamento.

Zema defendia o repasse da Uemg à União no âmbito do Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag). O objetivo era transferir prédios da instituição ao Palácio do Planalto com base na regra que permite o desconto de parte do débito por meio da cessão da posse de imóveis estaduais.

O projeto foi lido pela Mesa Diretora da Assembleia em 8 de maio. No dia seguinte, chegou a ser remetido à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), responsável pela análise inicial de todas as matérias que chegam ao Legislativo. A resistência de parlamentares à ideia, contudo, impediu que o assunto fosse pautado em reunião formal do colegiado. Mesmo integrantes da coalizão governista eram contrários à possibilidade de federalização.

No ofício em que solicita o arquivamento da proposta, obtido por O Fator, Zema não detalha os motivos que o fizeram reconsiderar a hipótese.

“Com meus cordiais cumprimentos, solicito a Vossas Excelências – Senhor Presidente e Senhoras e Senhores Deputados –, nos termos do art. 285 do Regimento Interno da Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais, a retirada do Projeto de Lei nº 3.738, de 2025, de minha autoria, que autoriza o Estado, por intermédio do Poder Executivo, a transferir para a União a gestão da Universidade do Estado de Minas Gerais – Uemg”, limitou-se a escrever.

Rejeição imediata

Ainda em maio do ano passado, O Fator mostrou que fontes ligadas ao ensino superior federal descartaram de pronto a possibilidade de a Uemg ser incorporada ao patrimônio da União. A transação nunca foi vista como atrativa, econômica e educacionalmente, pela equipe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Durante o período em que o projeto de lei ficou em banho-maria na Assembleia, a Casa recebeu diversas manifestações formais de repúdio à iniciativa. Expediram moções contrárias ao texto instituições como as Câmaras Municipais de Passos, Frutal e Belo Horizonte, cidades que abrigam unidades da universidade.

À época do envio da proposta de federalização da Uemg, o vice-governador Mateus Simões (PSD) apontou o valor financeiro dos prédios da universidade como justificativa para uma possível cessão ao governo federal.

“A Uemg detém um patrimônio imobiliário considerável. Por exemplo: (possui) um imóvel que vale mais de R$ 50 milhões na Avenida José Cândido da Silveira (em Belo Horizonte), e um imóvel que vale mais de R$ 40 milhões na Avenida Antônio Carlos. O imóvel do Mangabeiras, onde funciona a Escola Guignard. Imóveis nos campi do interior. Então a federalização faria sentido por isso”, alegou.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

Leia também:

TCE homologa acordo entre Copasa e AMM para inclusão de esgotamento em 273 contratos de concessão

Os imóveis do governo de Minas retirados de última hora da lista de bens transferidos à União

Por que o Novo acredita que áudio de Flávio a Vorcaro vai impactar campanhas de Zema e Simões

Veja os Stories em @OFatorOficial. Acesse