O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e o presidente da Assembleia Legislativa (ALMG), Tadeu Leite (MDB), estiveram lado a lado em duas ocasiões nesta segunda-feira (2). Além de dividirem o púlpito na sessão que iniciou os trabalhos do Parlamento neste ano, eles almoçaram na sede do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), em Belo Horizonte. Pelo que apurou O Fator, o encontro foi mais um da série de reuniões de alinhamento entre os Poderes para tratar, sobretudo, dos temas que tramitam na ALMG e interessam ao governo.
Desde que Tadeuzinho assumiu a presidência da Assembleia, em fevereiro de 2023, ele e Zema costumam se encontrar periodicamente. O governador, aliás, aproveitou a sessão solene para elogiar deputados estaduais e comentar, em tom positivo, a relação com o chefe do Legislativo.
Durante o discurso, Zema agradeceu aos parlamentares que “se mostraram comprometidos com os mineiros” ao longo dos últimos sete anos. Ao tratar especificamente de Tadeuzinho, fez menção indireta aos conflitos que travou com o ex-deputado Agostinho Patrus, que liderou a Assembleia de 2019 a janeiro de 2023.
“Fico satisfeito em ver que substituímos uma relação anteriormente complexa e de embate por uma muito mais construtiva no meu segundo mandato, graças à condução do deputado Tadeu Leite”, disse.
Zema deixa o cargo no dia 22 do mês que vem para se dedicar à pré-candidatura à Presidência da República e cumprir a regra de desincompatibilização imposta pela Justiça Eleitoral. Embora não tenha citado de forma expressa as pretensões eleitorais, afirmou que o ano será “decisivo” para o estado e para o país.
“Este ano de 2026 será decisivo para Minas e para o Brasil. Tenho esperança de que eles vão continuar no caminho da prosperidade. Estou certo de que os brasileiros encontrarão no exemplo que vem das nossas montanhas a esperança que precisam para ir mais longe. Muito obrigado, senhores deputados”, projetou.
Propag foi ‘decisão difícil’
Tanto Zema quanto Tadeu Leite aproveitaram os discursos desta segunda-feira para comentar o Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag). O plano, que desde 31 de dezembro do ano passado conta com a participação de Minas Gerais, permite o refinanciamento de débitos estaduais junto à União por meio de estratégias como a federalização de ativos locais. O cerne do Propag está na redução do indexador de juros que corrige as dívidas.
Segundo o emedebista, a aprovação da adesão ao plano foi uma “decisão difícil”, precedida por amplo debate.
“(Foi) uma decisão que reafirmou o papel desta Casa como um espaço central de debates qualificados e de soluções possíveis para os grandes desafios do nosso tempo”, pontuou.
Zema, por sua vez, afirmou que a Assembleia foi “fundamental” para a construção do acordo com o governo federal. As primeiras bases do Propag, cabe recordar, foram levadas por deputados estaduais ao senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), autor do texto, ainda em 2023.
“O Propag vai tornar Minas um estado financeiramente viável e com isso os mineiros podem esperar ainda mais acesso à saúde, educação, segurança, emprego e infraestrutura”, vislumbrou.
A Assembleia ainda não encerrou a atuação no Propag. Os deputados começam o ano tendo de votar o projeto de lei que autoriza o repasse de centenas de imóveis estaduais à União. Será preciso analisar, ainda, o veto de Zema a um trecho da lei que autoriza a federalização da Minas Gerais Participações S/A (MGI).
