Subsidiária da Fictor, que pediu recuperação judicial, iniciou operações em MG há dois meses

Holding acumula R$ 4 bilhões em dívidas e, no fim do ano passado, tentou comprar o Banco Master, liquidado pelo BC
Logomarca do grupo Fictor projetada durante evento
Fictor pediu RJ e quer 180 dias de prazo para reorganização financeira inicial. Foto: Fictor/Divulgação

Anunciado nesta segunda-feira (2), o pedido de recuperação judicial (RJ) do Grupo Fictor aconteceu pouco menos de dois meses após uma subsidiária da holding, a Fictor Alimentos S/A, começar a operar em Minas Gerais. Em 4 de dezembro do ano passado, a empresa abriu as portas de uma fábrica de industrialização de produtos suínos em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH).

Como O Fator revelou em agosto, a Fictor Alimentos previa investir R$ 150 milhões na planta produtiva de Betim. O negócio aconteceu porque a subsidiária comprou uma unidade industrial da Mellore, que também atua no ramo frigorífico. A transação deu origem a uma terceira empresa, a Fictor Alimentos Betim Ltda.

O grupo Fictor acumula dívida de R$ 4 bilhões. O pedido de recuperação judicial foi protocolado nesse domingo (1°) junto ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP). Segundo a holding, a solicitação tem por objetivo “criar um ambiente de negociação estruturada e com tratamento isonômico, que possa garantir a continuidade das atividades de forma sustentável”.

A eventual aprovação da RJ não atinge as operações em Betim, já que as subsidiárias não constam no pedido. Além de atuar em Minas, a Fictor Alimentos S/A tem ramificações no Rio de Janeiro. As fábricas somam cerca de 3,5 mil funcionários.

Conexão com o Master

Na nota pública em que detalha o pedido de RJ, a Fictor associa a medida à liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada em novembro do ano passado pelo Banco Central (BC). Antes de a instituição de Daniel Vorcaro encerrar as atividades, a holding, em sociedade com investidores árabes, fez proposta para comprar o banco. O negócio não chegou a ser fechado.

“Com a decretação da liquidação da instituição pelo Banco Central, um dia após o anúncio da aquisição, a reputação do grupo foi atingida por especulações de mercado, que geraram um grande volume de notícias negativas, atingindo duramente a liquidez da Fictor Invest e da Fictor Holding”, lê-se em trecho do comunicado.

Ao requerer a recuperação judicial, a Fictor solicitou liminar suspendendo, por ao menos 180 dias, execuções e bloqueios financeiros. A medida cautelar, diz o grupo, foi pedida para evitar pressões sobre a liquidez da companhia. 

“Nesse período, pela lei, a companhia garante o direito de negociar um plano de recuperação, prevendo novas condições e prazos de pagamento de seus compromissos, sem interromper as operações e, consequentemente, preservando mais de 10.000 empregos diretos e indiretos”, sustenta.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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