Fhemig rejeita recurso contra resultado de edital para construção de novo complexo hospitalar em BH

Apelação foi apresentada por empresa que terminou certame na segunda colocação; contrato será assinado até março
Foto mostra o projeto do complexo hospitalar
Governo de Minas quer reunir hospitais em complexo na Gameleira. Foto: Governo de Minas/Divulgação

A Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) negou um recurso contra o resultado da licitação para a construção do Complexo de Saúde Hospitalar Padre Eustáquio (HoPe), na Gameleira, em Belo Horizonte. A apelação foi protocolada pela OPY Healthcare Gestão de Ativos e Investimentos, segunda colocada na disputa, vencida pelo Consórcio Saúde HoPe, das empresas Integra Brasil, Oncomed Centro de Prevenção e Tratamento de Doenças Neoplásicas e B2U Participações.

A decisão de negar o recurso foi tomada na quinta-feira (16) pela comissão responsável por contratar a parceria público-privada (PPP) que vai erguer o complexo, projetado para reunir, no mesmo terreno, atividades prestadas no Hospital Infantil João Paulo II, no Hospital Alberto Cavalcanti, na Maternidade Odete Valadares e no Hospital Eduardo de Menezes.

A OPY questionava a habilitação do consórcio vencedor e alegou falhas de qualificação técnica e em aspectos econômico-financeiros para pedir a impugnação do resultado. A comissão, porém, entendeu que não houve irregularidades nem descumprimento das exigências do edital.

Recurso questionava fragilidade financeira da vencedora

Em um dos trechos do recurso, a OPY apontou suposta fragilidade financeira das empresas associadas ao consórcio, bem como limitação do objeto social da Oncomed — voltado apenas à oncologia —, além de críticas à apólice de seguro, que, segundo a OPY, não garantiria renovação automática. A recorrente ainda mencionou riscos relacionados à subcontratada Construtora Líder.

A OPY ainda afirmou que o consórcio declarado vencedor não teria comprovado a experiência mínima exigida pelo edital. Os termos da concorrência previam a apresentação de atestado mostrando a participação na execução de um empreendimento de saúde com, pelo menos, 40 mil metros quadrados.

Segundo a recorrente, o atestado técnico apresentado pelo consórcio se basearia em construção com 15,9 mil metros quadrados, incluindo áreas não hospitalares como estacionamentos, lojas e auditório. A empresa também questionou a validade da Certidão de Acervo Técnico usada para qualificação, alegando falta de vínculo do profissional responsável com o consórcio.  

Consórcio garante ter cumprido requisitos

O Consórcio Saúde HoPe, por sua vez, assegurou, na resposta ao recurso, que o atestado técnico apresentado comprova a participação do grupo na construção de um hospital com 64,9 mil metros quadrados. Segundo a vencedora, o edital não restringia a área construída a espaços exclusivamente assistenciais, apontando que o conceito de “complexo de saúde” inclui dependências como estacionamentos e auditórios.

Sobre a qualificação financeira, o consórcio lembrou que o edital não estabelecia índices contábeis ou patrimônio mínimo. A defesa citou o artigo 69 da nova Lei de Licitações, de 2021, que impede a criação de exigências não previstas no edital, e lembrou que a futura execução será feita por uma Sociedade de Propósito Específico (SPE), tornando desnecessária a análise individual do objeto social das consorciadas.

Diretrizes da decisão

Após examinar as alegações de ambas as partes, a comissão concluiu que o recurso apresentou “interpretações inovadoras” e teses novas, como as relacionadas à subcapitalização e ao vínculo profissional. O relatório destacou que o certame observou os princípios da legalidade, vinculação ao edital e igualdade entre participantes.  

O documento recomendou o indeferimento do pedido da OPY e a manutenção da decisão que habilitou o Consórcio Saúde HoPe. O voto da comissão foi unânime e encaminhado à presidência da Fhemig, responsável pela homologação do resultado final.[1]

Contrato será assinado até março

O contrato com a escolhida para tocar a PPP do HoPe será assinado até 2 de março do ano que vem. A data-limite foi estendida por causa dos prazos relacionados à análise do recurso da OPY. Anteriormente, o prazo vencia em 27 de fevereiro de 2026.

O terreno na Gameleira que vai abrigar o Complexo Hospitalar foi, por muitos anos, a sede do Hospital Galba Veloso. Além da união de casas de saúde da Fhemig, o projeto prevê a instalação de um laboratório de análises clínicas da Fundação Ezequiel Dias (Funed).

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília, e pela Itatiaia. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.

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