Governo de Minas e União divergem sobre regras para federalização do Hospital de Divinópolis

Estado tenta convencer empresa federal a assinar novo termo de cessão da casa de saúde, que deve ter obras concluídas em 2026
Vista do Hospital Regional de Divinópolis
Obras do Hospital Regional de Divinópolis foram retomadas no fim do ano retrasado. Foto: Fábio Marcheto/Imprensa MG

O governo de Minas Gerais e a União têm divergido sobre as regras que vão nortear o repasse do Hospital Regional de Divinópolis, no Centro-Oeste do estado, ao poder público federal. As obras do local devem ser concluídas no ano que vem.

O Palácio Tiradentes deseja a assinatura de um termo de cessão do espaço, enquanto a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) pleiteia que a transferência aconteça nas condições de um acordo de cooperação firmado no início de janeiro. As cláusulas do trato preveem o repasse do local à Universidade Federal de São João del Rei (UFSJ). A instituição, por sua vez, vai entregar a gestão do espaço à Ebserh.

O termo de cessão, segundo apurou O Fator, tem como propósito permitir que, posteriormente ao repasse da edificação, o hospital seja incluído no Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag). A ideia da equipe do governador Romeu Zema (Novo) é envolver a casa de saúde na regra do Propag que permite o abatimento de parte dos débitos estaduais por meio da transferência de bens locais ao patrimônio federal.

O acordo de cooperação do início de ano, entretanto, previa a federalização do hospital sem que houvesse a contrapartida do desconto na dívida.

Um ofício obtido por O Fator mostra que, em 9 de outubro, a Ebserh recusou uma proposta do governo de Minas para a celebração do termo de cessão. O novo acordo, segundo o Executivo estadual, permitiria “o início imediato das intervenções, obras e demais providências necessárias para o funcionamento do hospital”.

Ao rechaçar a ideia, o vice-presidente da Ebserh, Daniel Beltrammi, encaminhou, à Secretaria de Saúde de Minas, um parecer de sua área técnica. O relatório, de acordo com a estatal federal, “apresenta fragilidades jurídicas”. Por isso, o pleito foi pela “manutenção do compromisso de doação do imóvel e dos bens móveis” à UFSJ..

Ainda conforme Beltrammi, o termo de cessão teria “natureza precária” e não estaria alinhado ao contrato de janeiro. 

“(O acordo inicial) pressupõe o imóvel previamente incorporado ao patrimônio da UFSJ para, então, ser objeto de cessão de uso à Ebserh, o que não se compatibiliza com a manutenção do domínio pelo Estado”, justificou.

Busca por convencimento

Nesta quinta-feira (23), o secretário de Saúde de Minas, Fábio Baccheretti, encaminhou à Ebserh um ofício pedindo a reconsideração do veto ao termo de cessão. No documento, Baccheretti sugere que o novo contrato e o acordo de cooperação sejam debatidos de forma paralela.

“Considerando que o parecer jurídico da Ebserh não apresentou óbice expresso à formalização do termo, sugerimos que sua tramitação ocorra em paralelo às demais etapas jurídicas em curso, por se tratar de providência mais ágil para viabilizar o início das atividades operacionais, sem alterar o fluxo definitivo previsto entre as instituições. Dessa forma, mantemos a proposta de formalização do termo de cessão como instrumento transitório, apto a conferir segurança jurídica e celeridade à implantação do Hospital Regional de Divinópolis, sem prejuízo do subsequente processo de transferência definitiva, conforme previsto na minuta proposta”, defendeu.

Na lista do Propag

Como a reportagem informou na semana passada, o Hospital Regional de Divinópolis passou a constar na lista de imóveis que o governo Zema deseja oferecer à União no âmbito do Propag. A inclusão da unidade assistencial na relação gerou incômodo em interlocutores políticos da cidade, uma vez que o acordo inicial não fazia menção ao refinanciamento da dívida pública.

O Hospital de Divinópolis foi adicionado à lista durante a tramitação, na Comissão de Administração Pública da Assembleia Legislativa (ALMG), do projeto de lei que dá sinal verde à transferência de imóveis como forma de abater a dívida. 

A nova versão da relação de edificações aptas a entrar na negociação, contudo, ainda não foi aprovada pelo comitê. A votação deve acontecer na semana que vem. Posteriormente, o documento terá de ser analisado pelo conjunto de deputados em dois turnos no plenário.

Com as modificações, a lista de empreendimentos tem 259 itens. Inicialmente, 343 imóveis eram mencionados.

Leia também:

Debata política como um marqueteiro

Victor Dzenk: a vocação que antecede a forma

O que tem tirado o sono de deputados do PL mineiro

Veja os Stories em @OFatorOficial. Acesse