Dirigentes da Rede Mater Dei foram pegos de surpresa com a decisão do Instituto de Previdência dos Servidores de Minas Gerais (Ipsemg) de encerrar o convênio com a unidade Betim-Contagem e com os hospitais Santa Genoveva e Santa Clara, em Uberlândia, no Triângulo Mineiro. A rede foi notificada na quinta-feira (26) à noite sobre a interrupção dos serviços a partir de domingo (1º).
No início de fevereiro, após divergências financeiras, o Mater Dei já havia deixado de atender pacientes vinculados ao Instituto de Previdência dos Servidores Militares (IPSM).
Embora a nota oficial do Ipsemg cite apenas a unidade de Betim-Contagem, o contrato que rege os três hospitais é o mesmo, conforme apurou O Fator. Interlocutores do processo acreditam em uma reunião entre as partes nos próximos dias para tratar do impasse.
No texto, o instituto previdenciário justifica o fim da parceria alegando o esgotamento do saldo financeiro previsto e a impossibilidade legal de renovação imediata. No entanto, fontes do hospital ouvidas pela reportagem afirmam que os tetos foram cumpridos rigorosamente e que eventuais excedentes eram previamente aprovados pela própria autarquia.
Aumento das alíquotas
O rompimento dos contratos acontece menos de um ano após a implementação da reforma no sistema de saúde dos servidores civis mineiros. Em dezembro de 2024, a Assembleia Legislativa aprovou o projeto do governo estadual que elevou as alíquotas de contribuição sob a promessa de sustentabilidade do plano.
A nova tabela entrou em vigor em 8 de abril do ano passado, aumentando o teto de contribuição de R$ 275,15 para R$ 500. Também houve reajuste na taxa para dependentes maiores de 21 anos, que saltou de R$ 30 para R$ 90.
Atendimentos mantidos e redirecionamentos
Em comunicado, o Ipsemg assegurou que os procedimentos agendados até 15 de março serão mantidos e que pacientes internados terão assistência garantida até a alta.
Aqueles em tratamento contínuo deverão ser redirecionados para a rede própria ou outras unidades credenciadas.
O precedente na previdência militar
A descontinuidade do atendimento no Mater Dei replica o roteiro enfrentado pelos segurados do IPSM. O instituto dos militares já havia oficializado o fim das atividades com o grupo hospitalar tanto em Betim quanto na unidade Santo Agostinho, na capital.
Na ocasião, divergências comerciais inviabilizaram o negócio, após o IPSM apresentar um edital com valores de tabela considerados incompatíveis com os custos assistenciais da rede privada.
Cenário fiscal
O cenário fiscal da previdência militar também passa por ajustes sensíveis. O governo de Minas foi obrigado a reduzir o teto de contribuição dos veteranos de 10,5% para 8% após derrotas judiciais.
Paralelamente, tramita no Legislativo uma proposta para reestruturar as receitas do setor militar, prevendo a criação de alíquotas para dependentes que hoje não contribuem diretamente.
Confira a nota do Ipsemg na íntegra:
“O Instituto de Previdência Servidores de Minas Gerais (Ipsemg) comunica que o Hospital Mater Dei Betim encerrará os atendimentos aos beneficiários neste domingo (1). Os procedimentos e tratamentos com realização prevista até 15/3/2026 estão mantidos.
O encerramento se deve ao fim do saldo previsto em contrato para realização de atendimentos e procedimentos ofertados pela unidade e pela impossibilidade legal de renovação contratual.
Pacientes em tratamento contínuo no Mater Dei Betim terão apoio do Ipsemg no redirecionamento para outras unidades credenciadas ou para a rede própria, assegurando a continuidade e a segurança dos cuidados já iniciados.
Já para os pacientes internados, está assegurada a continuidade do tratamento até a respectiva alta hospitalar.”
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