Irmão de Cleitinho defende saída de presidente da AMM da transição por apoio a Lula, mas governador eleito descarta

Equipe de transição afirma que presidente da AMM representa os municípios e que posições políticas não devem interferir
Prefeito Lucas Vieira durante entrevista para O Fator
Lucas Vieira, prefeito de Iguatama, atual presidente da AMM. Foto: Ayron Borsari/O Fator

Mesmo após o deputado estadual Eduardo Azevedo (PL), irmão do governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), defender a saída do presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), Lucas Vieira (PSB), da comissão de transição por declarar voto em Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a futura gestão decidiu manter o dirigente no grupo.

A O Fator, a equipe de transição afirmou que Lucas, também prefeito de Iguatama (Centro-Oeste), representa os municípios mineiros e que as posições políticas de cada integrante não devem interferir no trabalho.

“As posições políticas de Cleitinho e Falcão (vice-governador eleito) são claras, assim como o apoio e o trabalho de ambos em favor da candidatura de Flávio Bolsonaro. A comissão reúne representantes de diferentes áreas e cada integrante tem o direito de manifestar suas opiniões e posições políticas, desde que isso não interfira no trabalho técnico da transição”, afirmou a equipe.

A cobrança de Eduardo foi feita em vídeo publicado nas redes sociais nesta sexta-feira (23). O deputado questionou a permanência de Lucas na comissão e considerou contraditório o apoio do presidente da AMM a Lula diante das críticas feitas pelo petista a Minas Gerais durante a campanha eleitoral.

“Mesmo depois de Lula ameaçar transformar Minas Gerais em um ‘cemitério de obras’ caso Cleitinho apoiasse Flávio Bolsonaro, o presidente da Associação Mineira de Municípios, Lucas Vieira, declara voto em Lula no segundo turno”, afirmou.

Eduardo também questionou se os mineiros aceitariam que interesses políticos se sobreponham aos da população e criticou os governos do PT em Minas Gerais.

Procurado por O Fator, ele confirmou que defende a saída de Lucas, mas reconheceu que a decisão cabe à futura gestão.

“É o que eu espero (a saída), mas não tenho autonomia para isso. Vamos ver qual será o posicionamento do Cleitinho e de Falcão”, afirmou.

A posição de Lucas Vieira

O presidente da AMM declarou voto em Lula nessa quinta-feira (22). Ao tornar a posição pública, disse que continuará cobrando o governo federal, independentemente do resultado da eleição.

“Por coerência, por Minas Gerais, por Iguatama e pelo povo brasileiro que mais precisa, o meu voto neste momento é em Lula”, falou.

Ele ainda contou que se posicionaria apesar de pedidos para que não se metesse na disputa nacional por causa de eventuais prejuízos políticos

“Não sou homem de ficar em cima do muro”, explicou.

Ana Mendonça é jornalista e estudante de Ciência Política, ex-colunista do Estado de Minas, onde cobriu os bastidores da política mineira por 8 anos. Em 2024, foi reconhecida no 30 Under 30 da International News Media Association.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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