Lula avisa Pacheco sobre indicação de Messias ao STF e reforça pedido para que ele seja candidato em Minas

A vaga no Supremo foi aberta após o ministro Luís Roberto Barroso anunciar aposentadoria antecipada da Corte, em outubro
Messias e Pacheco
Lula teria comunicado a Pacheco que escolheu o advogado-geral da União, Jorge Messias, para vaga no STF. Foto: Emanuelle Sena/ AscomAGU

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniu, na noite de segunda-feira (17), com o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para comunicar a escolha do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).

A informação foi adiantada pela coluna da Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, e confirmada por O Fator. No encontro, o petista ainda reforçou seu desejo que Pacheco concorra ao governo de Minas Gerais nas eleições de 2026. O senador, no entanto, não teria dado resposta.

Aliados do senador disseram à reportagem que já era conhecida por todos a intenção de Lula de que o parlamentar fosse candidato ao comando do estado em 2026, mas consideram importante entender o que mais foi oferecido a ele para tentar convencê-lo a entrar na disputa.

É esperado que o presidente oficialize a indicação de Messias ainda nesta terça-feira. Desde a manhã, Lula cumpre agenda em Tocantins e retornará a Brasília na tarde de hoje.

O petista optou por um nome de sua confiança no STF e contrariou preferências de setores do Congresso Nacional e de ministros da Corte, como Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, que defendiam a indicação do senador.

O principal cabo eleitoral de Pacheco foi o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que “lembrou” que ele é quem tem em mãos o poder de definir o ritmo da sabatina e da votação do indicado, etapas indispensáveis para que o escolhido pelo presidente assuma a cadeira no Supremo.

Um dos fatores amplamente mencionados que pesavam contra a escolha do ex-presidente do Senado era o desejo já manifestado por Lula, em diversas ocasiões, de tê-lo como candidato ao comando do estado no ano que vem.

Minas é considerada peça central em qualquer disputa presidencial. Desde a redemocratização, todos os candidatos que venceram no estado também conquistaram o Planalto. Lula intensificou sua presença no território mineiro e, apenas em 2025, realizou sete agendas no estado, passando por dez municípios.

Na mesa de Pacheco, diferentes caminhos se desenham. No campo partidário, ele conversa com MDB, PSB e União Brasil. Isso porque o seu atual partido, o PSD, filiou no último mês o vice-governador e pré-candidato ao governador de Minas, Mateus Simões.

Além da disputa pelo Palácio dos Tiradentes, sobre a qual aliados ainda não sabem se ele aceitará, Pacheco também avalia outros caminhos. Entre as possibilidades estão a tentativa de reeleição ao Senado, o retorno integral à advocacia e, segundo interlocutores, até mesmo a hipótese de integrar como vice uma eventual chapa de Lula à reeleição.

Escolha de Messias é “natural”

Interlocutores avaliavam que escolha de Messias já era tratada internamente como “natural”. Ele é lembrado por ter acompanhado a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) durante o processo de impeachment, integrado o núcleo jurídico próximo de Lula enquanto o petista esteve preso e ser visto como um nome de confiança em diversas alas do partido.

Também havia quem interpretasse que Lula mantinha uma espécie de “dívida” com o advogado-geral da União, uma vez que ele foi preterido em nomeações anteriores ao STF.

Primeiro, quando o presidente escolheu Cristiano Zanin para a vaga de Ricardo Lewandowski, em junho de 2023, e depois ao indicar Flávio Dino para suceder Rosa Weber, em novembro do mesmo ano.

A vaga no Supremo foi aberta após o ministro Luís Roberto Barroso anunciar sua aposentadoria antecipada do tribunal. A saída do magistrado foi oficializada em 18 de setembro.

Além de Messias e Pacheco, também aparecia no páreo o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Bruno Dantas. A presidente do Superior Tribunal Militar (STM), Maria Elizabeth Rocha, também era lembrada diante da pressão por mais mulheres na Corte, atualmente representada apenas por Cármen Lúcia entre os 11 ministros.

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