Lula confirma indicação de Jorge Messias ao STF

Presidente comunicou o advogado-geral da União da escolha nesta quinta-feira (20), durante encontro no Palácio da Alvorada
Jorge Messias
O presidente Lula indicou Jorge Messias para a vaga de Luís Roberto Barroso no STF. Foto: Emanuelle Sena/ AscomAGU

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) oficializou, nesta quinta-feira (20), a escolha do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF). O petista optou por um nome de sua confiança e contrariou preferências de setores do Congresso Nacional e de ministros da Corte, que defendiam a indicação do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

Lula e Messias se encontraram hoje no Palácio da Alvorada, em Brasília (DF). Durante a conversa, o chefe do Executivo federal comunicou o advogado-geral da decisão.

Em nota, o Palácio do Planalto informou que a oficialização da indicação será publicada em edição extra do Diário Oficial da União (DOU).

Dias antes de anunciar sua decisão, o petista se reuniu com o senador por Minas Gerais. O encontro ocorreu na noite de segunda-feira (17). Um dos fatores amplamente mencionados como obstáculo à escolha de Pacheco para o tribunal — e que foi reforçado na conversa entre os dois — é o desejo manifestado por Lula de tê-lo como candidato ao governo de Minas em 2026. Na reunião do início da semana, contudo, o congressista sinalizou que avalia a possibilidade de deixar a vida pública ao fim de seu mandato parlamentar.

A leitura é de que o PT não conta com outra alternativa no estado e não há, por ora, nomes competitivos da esquerda que inspirem a confiança do presidente ou que queiram entrar no páreo. Minas é considerada peça central em qualquer disputa presidencial. Desde a redemocratização, todos os candidatos que venceram no estado também conquistaram o Planalto.

No campo partidário, o ex-presidente do Senado conversa com MDB, PSB e União Brasil, uma vez que o PSD, atual partido dele, filiou o vice-governador e pré-candidato ao comando do estado, Mateus Simões.

Além da disputa pelo governo de Minas, sobre a qual aliados ainda não sabem se ele vai aceitar, Pacheco avalia outros caminhos para o caso de decidir manter a carreira política. Entre as possibilidades estão a tentativa de reeleição ao Senado, o retorno integral à advocacia e, segundo interlocutores, até mesmo a chance de compor como vice uma eventual chapa de Lula à reeleição.

Caso Pacheco decline do convite, um dos nomes ventilados pela esquerda mineira é o do ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT).

Escolha de Messias é “natural”

A escolha de Messias já era tratada internamente como “natural”. Ele é lembrado por ter acompanhado a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) durante o processo de impeachment, integrado o núcleo jurídico próximo de Lula enquanto o petista esteve preso e ser visto como um nome de confiança em diversas alas do partido.

Também havia quem interpretasse que Lula mantinha uma espécie de “dívida” com o advogado-geral da União, uma vez que ele foi preterido em nomeações anteriores ao STF.

Primeiro, quando o presidente escolheu Cristiano Zanin para a vaga de Ricardo Lewandowski, em junho de 2023, e depois ao indicar Flávio Dino para suceder Rosa Weber, em novembro do mesmo ano.

A vaga no Supremo foi aberta após o ministro Luís Roberto Barroso anunciar sua aposentadoria antecipada do tribunal. A saída do magistrado foi oficializada no último dia 18.

Agora, Messias será sabatinado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, onde precisará ter seu nome aprovado. Depois disso, a indicação será votada no plenário da Casa, que exige no mínimo 41 votos favoráveis.

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