Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) esperam que ele chame o senador Rodrigo Pacheco (PSD) para uma conversa até quarta-feira (11) para tratar da disputa pelo governo de Minas Gerais nas eleições deste ano.
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, por sua vez, disse a membros da executiva mineira da legenda nesta terça-feira (10) que o senador já teria aceitado concorrer ao comando do estado, mas o que trava as negociações, como mostrou O Fator, é a questão partidária.
Quatro participantes do encontro com o dirigente nacional confirmaram as declarações de Edinho — entre eles, a deputada estadual Leninha, que preside a Executiva petista em Minas. Do lado de Pacheco, no entanto, o discurso de aliados permanece o mesmo: não há definição sobre o pleito neste ano.
A expectativa é que, a partir do próximo encontro com Lula, haja avanço nas questões partidárias. O presidente se comprometeu a cuidar dessa articulação no âmbito nacional, uma vez que o tema também envolve sua própria reeleição.
A preocupação do grupo é que Pacheco tem até o fim do semestre para definir o futuro. O grupo, contudo, precisa se organizar em outra sigla para concorrer à Assembleia Legislativa (ALMG) e à Câmara dos Deputados, já que a janela partidária se encerra em 3 de abril.
Nesse cenário, segundo apurou a reportagem, além do União Brasil e com o MDB fora do xadrez, após encontro na última semana, Lula pretende reapresentar o PSB como uma das possibilidades.
O embarque na legenda nacionalmente comandada por João Campos (prefeito de Recife), no entanto, não tem sido bem aceito internamente do lado do senador, que deseja se acomodar em uma agremiação mais ao centro do espectro político.
A conversa presencial entre Lula e Pacheco estava prevista inicialmente para o fim da última semana, mas viagens e uma indisposição do presidente levaram ao adiamento do encontro. Para o presidente, essa definição também é necessária.
Como mostrou O Fator, com a definição de que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, irá concorrer ao governo de São Paulo, as atenções do presidente voltam a se concentrar em Minas, estado considerado importante para sua reeleição.
No PT, apesar do otimismo de Edinho, a análise é que o martelo só poderá ser batido caso Pacheco anuncie publicamente — ou diretamente a Lula — a intenção de entrar na corrida estadual.
Chapa proporcional em jogo
No União Brasil, Pacheco assegurou o comando da legenda em Minas Gerais a um aliado, o deputado federal Rodrigo de Castro. Além disso, conta com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (AP), como um dos principais aliados no partido.
Do ponto de vista da formação de chapas competitivas para deputado federal e estadual, também se diz que a sigla teria melhores condições para o grupo do senador, considerando o tamanho da estrutura partidária, que garante acesso ao fundo partidário e organização.
A candidatura ao governo de Minas pelo União, no entanto, ainda esbarra na questão do alinhamento ideológico. A dúvida que persiste envolve a posição do partido, que mantém federação com o PP, na disputa nacional.
Existe a possibilidade de a federação União-PP apoiar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para o Palácio do Planalto. Nesse cenário, não está claro se haveria liberação para os diretórios estaduais apoiarem candidatos distintos.
E, por se tratar de uma disputa nacional, cabe ao presidente Lula conduzir essa interlocução com os caciques Antônio Rueda, pelo União Brasil, e o senador Ciro Nogueira (PI), pelo PP. Pacheco espera essa articulação por parte do presidente.
PSB na equação
Em função desse cenário, Lula também pretende recolocar o PSB nessa equação. A leitura no Planalto é de que, na legenda, o presidente teria mais margem para articulações políticas e para lançar uma candidatura de Pacheco ao governo.
Na avaliação do grupo do senador, no entanto, pesa sobretudo a viabilidade do projeto da chapa proporcional. O cálculo é de que hoje a sigla não teria o mesmo tamanho de estrutura para montar chapas competitivas à Assembleia de Minas e à Câmara dos Deputados.
Mas, de todos os lados, mantém-se a avaliação de que a decisão precisa vir rapidamente, uma vez que os candidatos da chapa de Pacheco precisam se organizar em uma nova sigla, diferentemente do senador, que pode definir se será candidato até o fim do semestre.
Campanha de oposição
Lula agora concentra os esforços para assegurar ao senador um partido de centro que lhe garanta capilaridade no estado e estrutura para realizar uma campanha de oposição ao governo de Romeu Zema (Novo), e também de olho na sua reeleição.
Apesar do imbróglio que se arrasta desde o ano passado, quando o vice-governador de Minas, Mateus Simões, filiou-se ao PSD, retirando espaço de Pacheco, os entornos de Lula e do senador acreditam numa solução para os próximos dias.
Além da dificuldade de encontrar uma legenda viável, Pacheco resistia a uma candidatura, reclamando, em conversas privadas, de cansaço após quatro anos na Presidência do Congresso Nacional, e relatando o desejo de se dedicar à advocacia.
Ao mesmo tempo, Lula mantém Pacheco como prioridade por vê-lo como o único nome capaz de garantir um palanque competitivo em Minas. A avaliação é reforçada pelo fato de o senador ser o mais bem posicionado em amostragens no campo da centro-esquerda.
Outra análise vinda do Planalto é que o atual desempenho de Flávio Bolsonaro, que se consolidou como o principal adversário de Lula, deu-se em função de o presidente não ter contado, até agora, com nomes de peso em São Paulo e Minas Gerais.
A percepção é que, em estados com maior mobilidade de votos, o bolsonarismo avança sem oposição articulada. Já com Haddad e Pacheco, a expectativa é conter esse crescimento por meio da defesa das ações do governo e do enfrentamento direto aos adversários de Lula.
O Fator tenta contato com Edinho para obter comentário a respeito das declarações dadas por ele na reunião desta quarta-feira. O espaço segue aberto.