Moraes autoriza transferência para Joinville de condenada pelo 8/1 presa em Confins após deportação dos EUA

Raquel de Souza Lopes foi detida pela PF ao desembarcar em Minas e cumpre pena de 16 anos e seis meses por crimes ligados ao 8/1
Alexandre de Moraes
O ministro Alexandre de Moraes é relator dos atos de 8 de janeiro no Supremo. Foto: Antonio Augusto/STF

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a transferência da mulher deportada pelo governo dos Estados Unidos do presídio em Ribeirão das Neves, na região metropolitana de Belo Horizonte, para um presídio feminino de Joinville, em Santa Catarina. A decisão é desta quarta-feira (4).

Raquel foi presa pela Polícia Federal (PF) em fevereiro deste ano, ao desembarcar no Aeroporto Internacional de Confins, em Minas Gerais, após ser deportada pelos Estados Unidos. Desde então, cumpria pena em Ribeirão das Neves.

A cozinheira foi condenada pelo STF a 16 anos e seis meses de prisão por participação nos atos de 8 de janeiro de 2023. Ela responde pelos crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, associação criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado, além de multa.

“A denunciada seguiu com o grupo que ingressou no Palácio do Planalto, local fechado ao público no momento dos fatos, empregando violência e com o objetivo declarado de implantar um governo militar, impedir o exercício dos Poderes Constitucionais e depor o governo legitimamente constituído, que havia tomado posse em 1º de janeiro de 2023”, afirma trecho da denúncia.

A transferência foi autorizada por Moraes após pedido da defesa com base no princípio da aproximação familiar, já que parentes da detenta vivem na região de Joinville. A Procuradoria-Geral da República (PGR) manifestou concordância com a solicitação.

Histórico

Raquel cumpria prisão domiciliar desde agosto de 2023, sob monitoramento por tornozeleira eletrônica, até romper o equipamento e deixar o país em março de 2024. Após passar pela Argentina, seguiu para o Peru e depois para a Colômbia.

A rota continuou pelo México e terminou na fronteira com os Estados Unidos, no Texas, que ela atravessou de forma irregular. Em janeiro do ano passado, foi presa pela Polícia de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE). Ela permaneceu detida no país por cerca de um ano, até ser deportada para o Brasil em fevereiro.

Durante o período em que esteve nos Estados Unidos, Raquel apresentou um pedido de asilo em junho de 2025, que acabou negado.

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