A renovação, até 2073, do contrato entre a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) e a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) animou bancos e analistas que acompanham os passos rumo à privatização da empresa. O Safra elevou o preço-alvo das ações em 15%. Os títulos, antes fixados em R$ 49, foram colocados em R$ 65. A revisão foi comunicada nessa quinta-feira (26), um dia após a assinatura do novo acordo com a capital.
Já o Itaú BBA, embora tenha mantido o target em R$ 55,90, também avaliou positivamente a extensão do vínculo entre a estatal e BH. Conforme a instituição financeira, o novo contrato configura “importante fator de redução de riscos para o processo de privatização”, visto que a capital “representa cerca de 30% da receita da Copasa e uma parcela significativa do valor econômico da empresa”.
Em vias de publicar o edital com as regras para as ofertas de interessados em participar do processo de privatização, a Copasa enxergava a oficialização do novo acordo com BH como essencial para alavancar o processo. O antigo contrato terminava em 2032.
Menção a pedidos do TCE
Apesar do diagnóstico favorável à privatização, o Safra disse que o cenário é de volatilidade. Ao tratar desse ponto, o banco lembrou o recente comunicado em que a Copasa diz que a privatização só será concluída após “a prestação de esclarecimentos solicitados por órgãos de controle”.
“O governo de Minas Gerais ainda precisa obter aprovação do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG) para avançar com a privatização”, salientou a instituição.
Como O Fator revelou, o conselheiro Agostinho Patrus recomendou, em ofício, que a Copasa apresentasse informações adicionais sobre diferentes aspectos financeiros e operacionais, incluindo dados de valuation e documentos internos relacionados ao processo de desestatização.
Em um dos ofícios enviados à empresa, Patrus sugeriu a suspensão do andamento das etapas rumo à privatização até que as dúvidas do tribunal sejam sanadas.
“Essas etapas mantêm a tese dependente de definições regulatórias e institucionais. Se a privatização não avançar, o mercado pode voltar a precificar riscos ligados ao ambiente político, sobretudo diante de uma eventual mudança de governo estadual, com possíveis efeitos sobre gestão, investimentos e regulação”, alertou o Safra.
