Integrantes do Republicanos, partido do senador Cleitinho Azevedo, avaliam não comparecer à solenidade de posse de Mateus Simões (PSD) como governador de Minas Gerais. O evento está marcado para domingo (22), na Assembleia Legislativa (ALMG), em Belo Horizonte. Ao mesmo tempo, prefeitos do interior tentam, também por uma questão relacionada ao Republicanos, encorpar o quórum da cerimônia, que se estenderá a um ato mais informal no Palácio da Liberdade.
O Fator apurou que deputados estaduais e prefeitos do partido sinalizaram a correligionários a possibilidade de faltar ao evento. O possível boicote tem relação com recentes declarações de Simões sobre o presidente estadual do partido, o deputado federal Euclydes Pettersen. Não há orientação formal da sigla para não comparecer à transmissão de cargo.
Na quinta-feira (12), o pessedista afirmou que o Republicanos deveria se preocupar mais com denúncias contra Pettersen, “que está quase preso pela Polícia Federal”, em vez de discutir a administração do estado. A declaração foi uma menção à investigação que apura suposta participação do dirigente no escândalo de fraudes em benefícios concedidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Euclydes rebateu. De acordo com ele, Cleitinho, que analisa a possibilidade de disputar a sucessão de Romeu Zema (Novo), tem como promessa abrir a caixa-preta das isenções fiscais concedidas a empresários em Minas.
“São quase R$ 130 bilhões em jogo. Se tiver algum problema e Cleitinho descobrir, o valor pode superar as fraudes do Banco Master e do INSS juntas”, afirmou, a O Fator.
Aniversário com clima de comício
O grupo que tenta arregimentar mais público para a posse de Mateus Simões, por sua vez, ficou incomodado com o tom de uma confraternização realizada no sábado (14), em Patos de Minas, no Alto Paranaíba.
O encontro marcou o aniversário do prefeito da cidade e presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), Luís Eduardo Falcão. Segundo relatos de participantes, a reunião teve clima de pré-campanha, com gestos de apoio a Cleitinho, que avalia disputar o governo de Minas contra Simões em 2026.
Alguns chegaram a entender os discursos como um lançamento de pré-campanha do senador à corrida pelo Palácio Tiradentes, o que foi posteriormente negado.
“Aniversário mesmo vai ficar pro ano que vem”, afirmou uma pessoa que compareceu à festa. Falcão, aliás, é apontado como possível candidato a vice em uma eventual chapa puro-sangue, embora também considere concorrer a deputado federal.
Os prefeitos já estão se mobilizando. Em mensagens trocadas em grupos, às quais O Fator teve acesso, gestores municipais afirmam que têm se organizado para garantir bom quórum à passagem de bastão de Zema para Simões.
Dois eventos
Como O Fator já mostrou, a atividade na Assembleia Legislativa terá caráter formal. O evento seguirá ritos tradicionais, como a entrega da declaração de bens de Simões, a passagem dele por um corredor de honra e a formação de uma comitiva de deputados estaduais para recebê-lo.
No Palácio da Liberdade, Zema e Simões discursarão de um pequeno palanque montado em frente às escadarias principais. Na Assembleia, apenas o vice-governador falará.
