O engenheiro civil Adhemar Palocci, irmão do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, passou a integrar a equipe do ex-governador Fernando Pimentel (PT) na Empresa Gestora de Ativos (Emgea), estatal vinculada ao Ministério da Fazenda. Pimentel preside a empresa desde o início do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2023.
Adhemar foi nomeado diretor comercial da Emgea em outubro, depois de atuar por dois anos na Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional (ENBPar) – estatal responsável pelo controle da Eletronuclear e pela participação brasileira na usina hidrelétrica de Itaipu. No ano anterior, o engenheiro chegou a ser cogitado para assumir a presidência da ENBPar, mas deixou a empresa em julho.
Na Emgea, Adhemar recebe salário próximo ao de Pimentel, em torno de R$ 50 mil por mês. Formado em Engenharia Civil pela Universidade de São Paulo em 1981, ele tem especializações em Transportes pela Escola de Engenharia de São Carlos (1983) e em Geotecnia pela Universidade de Brasília (2000).
Em 2015, durante as investigações da Operação Lava Jato, o ex-presidente da Camargo Corrêa, Dalton dos Santos Avancini, mencionou Adhemar em depoimento sobre suposto pagamento de propina em contratos da Eletronorte ligados à construção da Usina de Belo Monte. Segundo Avancini, os valores seriam destinados ao MDB. O caso nunca chegou a ser judicializado.
Diferentemente do irmão, que rompeu com o PT após colaborar com as investigações da Lava Jato, Adhemar mantém interlocução com quadros do partido e passou a ocupar cargos em estatais durante o governo Lula.
Criada em 2001, a Emgea tem como principal função gerir e recuperar ativos da União e de entidades da administração pública federal, incluindo créditos habitacionais e comerciais, com foco na reestruturação e conciliação de dívidas.