O projeto de lei de Zema que deve entrar na pauta de votações da ALMG nas próximas semanas

Projeto está entre os prioritários do Executivo estadual para 2026 e divide opiniões na Assembleia Legislativa
O líder do governo na ALMG, João Magalhães (MDB), e o secretário de Governo, Marcelo Aro (PP).
O líder do governo na ALMG, João Magalhães (MDB), e o secretário de Governo, Marcelo Aro (PP). Foto: Luiz Santana/ALMG

O projeto que muda o modelo de gestão de hospitais da rede estadual de Minas Gerais entrou na pauta de negociações políticas na Assembleia Legislativa (ALMG). O Fator apurou que líderes da Casa discutem a inclusão do PL 2.127/24, que cria o Serviço Social Autônomo de Gestão Hospitalar (SSA-Gehosp), na agenda do plenário nas próximas semanas

A proposta, que já está pronta para votação em 1° turno, enfrenta resistência da oposição. De autoria do governador Romeu Zema (Novo), o texto autoriza que unidades da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) passem a ser administradas por uma entidade de direito privado, sem fins econômicos, de interesse coletivo e de utilidade pública.

O SSA-Gehosp, cuja proposição é uma das prioridades de Zema para 2026, poderá atuar na prestação de serviços públicos de saúde, em ações complementares às políticas do Sistema Único de Saúde (SUS).

O primeiro hospital a integrar o modelo seria o Alberto Cavalcanti, especializado em oncologia.

O governo sustenta que o novo modelo vai ampliar a capacidade de gestão, com maior agilidade administrativa e operacional, especialmente na contratação de profissionais e na aquisição de insumos, hoje submetidas às regras da administração direta.

Pelo texto, a entidade poderá executar políticas públicas de saúde, gerenciar serviços hospitalares, desenvolver programas de formação permanente de profissionais e promover pesquisas em temas de saúde pública.

A Fhemig poderá prestar apoio logístico, administrativo e operacional ao SSA-Gehosp até a completa estruturação da nova organização.

PPP hospitalar corre em paralelo

O avanço das discussões sobre o SSA-Gehosp acontece em meio à busca da Fhemig por aval judicial para homologar o resultado da licitação para a construção do Complexo Hospitalar Padre Eustáquio (HoPe), na Gameleira, em Belo Horizonte. O conjunto de casas de saúde, previsto para funcionar na área do antigo Hospital Galba Veloso, vai englobar inclusive o Alberto Cavalcanti, tido como protótipo do serviço autônomo.

A reportagem apurou que a ideia da Fhemig é gerir o HoPe por meio de uma combinação entre o SSA-Gehosp e a parceria público-privada (PPP) que vai ser assinada em caso de liberação judicial para o prosseguimento do trâmite licitatório.

Caso o serviço autônomo não encontre respaldo da Assembleia, o HoPe, então, passaria a ser uma PPP com administração hospitalar controlada de outra forma, por meio de gestão direta ou acordo com organização social.

A concorrência para a construção do complexo na Gameleira foivencida pelo pelo Consórcio Saúde Hope, formado pelas empresas Integra Brasil, Oncomed Centro de Prevenção e Tratamento de Doenças Neoplásicas e B2U Participações. A homologação do triunfo está suspensa pois em 26 de dezembro do ano passado a Opy Healthcare, segunda colocada no certame, conseguiu um mandado de segurança para paralisar o processo.

A controvérsia gira em torno do atestado de capacidade técnica apresentado pelo grupo vencedor durante a fase de análise documental das candidatas.

O projeto prevê a integração, na área do antigo Galba, das estruturas dos hospitais Eduardo de Menezes, João Paulo II e Alberto Cavalcanti, da Maternidade Odete Valadares e do Laboratório Central da Fundação Ezequiel Dias (Funed).

Contratações via CLT

Segundo o projeto de 2024 para a implantação do SSA-Gehosp, a contratação de pessoal será regida pela legislação trabalhista, com regulamento próprio de gestão de recursos humanos e possibilidade de gratificações vinculadas a metas e resultados. Também está prevista a cessão de servidores públicos para a entidade.

Em outubro do ano retrasado, a proposição recebeu parecer favorável na Comissão de Fiscalização Financeira e Orçamentária (FFO), etapa que liberou a proposta para apreciação em plenário.

Durante a tramitação, o substitutivo nº 1, de autoria da Comissão de Saúde, alterou a composição dos Conselhos de Administração e Fiscal, ampliando a participação de representantes do Conselho Estadual de Saúde.

Pelo menos três integrantes do Conselho de Administração e um do Conselho Fiscal deverão ser servidores efetivos do Poder Executivo.

O texto passou a proibir a indicação para esses conselhos de pessoas que tenham exercido mandato eletivo ou cargo de direção partidária nos 36 meses anteriores, com o objetivo de evitar aparelhamento político. Também foi estabelecido que ao menos um dos membros da diretoria executiva seja profissional da área da saúde.

Para ampliar o controle institucional, o diretor do SSA-Gehosp deverá ser submetido à sabatina e aprovação da Assembleia Legislativa. Além disso, a entidade prestará contas anualmente ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG) e à Comissão de Saúde da ALMG.

Oposição

Embora o governo use o Serviço Social Autônomo de Contagem (SSA) de Contagem, cidade administrada pela petista e possível pré-candidata ao senado pelo PT, Marília Campos, como exemplo de estrutura semelhante ao Gehosp, a oposição atua para barrar o avanço da proposta em plenário.

O SSA é uma entidade privada, sem fins lucrativos, criada pela Prefeitura de Contagem (MG) para gerenciar o Complexo Hospitalar, o Centro Materno Infantil e as UPAs do município.

Durante a tramitação, a deputada Beatriz Cerqueira (PT) utilizou requerimentos regimentais para retirada de pauta e adiamento da discussão. A parlamentar afirma que o projeto abre caminho para a privatização da rede estadual de saúde e fragiliza a estrutura da Fhemig.

Tatiana Moraes é jornalista especialista em comunicação estratégica, com MBAs em Gestão de Negócios e Comunicação Eleitoral e Marketing Político. Foi repórter dos jornais Hoje em Dia e Diário do Comércio e atuou como diretora de Comunicação da AMM e assessora-chefe de Comunicação da Secretaria de Estado de Governo (Segov).

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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