Dirigentes do Novo em Santa Catarina ficaram irritados com Romeu Zema após o ex-governador voltar a atacar publicamente o senador Flávio Bolsonaro (RJ) apenas um dia depois de participar de uma reunião reservada com lideranças da sigla para reduzir o desgaste provocado pela crise com o Partido Liberal (PL).
Segundo apurou O Fator, integrantes do partido interpretaram o encontro, realizado na noite de domingo (18), como uma tentativa de distensionar o ambiente após a repercussão negativa do vídeo em que Zema classificou como “imperdoável” a conduta de Flávio Bolsonaro no caso envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro.
A reunião marcou o início da agenda de Zema em Santa Catarina e reuniu dirigentes estaduais e nacionais do Novo. Durante o encontro, o ex-governador elogiou o estado, afirmou que Santa Catarina é referência nacional em gestão e exaltou lideranças locais da legenda.
Zema também defendeu a estratégia regional do partido de ampliar o diálogo dentro do campo da direita e consolidar alianças para 2026, especialmente a aproximação entre o ex-prefeito de Joinville, Adriano Silva, e o governador Jorginho Mello.
Participaram da reunião o presidente nacional do Novo, Eduardo Ribeiro, o presidente estadual da sigla, Kahli Zattar, o secretário estadual de Planejamento, Arão Josino, além dos deputados Gilson Marques e Matheus Cadorin.
Dirigentes saíram da conversa com a avaliação de que Zema buscava reduzir a tensão aberta com aliados bolsonaristas e preservar as alianças estaduais do partido.
Nova fala gerou irritação
O clima mudou na segunda-feira (19), durante participação de Zema no evento Conexa 2026, em Florianópolis, quando o ex-governador voltou a defender publicamente as críticas feitas a Flávio Bolsonaro.
“O que aconteceu é que eu, que concorro à Presidência, me posicionei a respeito do meu concorrente também e isso não afeta em nada”, afirmou.
Zema também disse que as críticas feitas contra ele buscavam “desvirtuar o problema” e minimizou os impactos da crise nas alianças regionais.
A nova declaração causou irritação entre dirigentes do Novo em Santa Catarina, que ficaram sem entender a postura adotada pelo ex-governador. Integrantes da sigla afirmam reservadamente que Zema sinalizou internamente um movimento de distensão durante a reunião de domingo à noite, mas repetiu publicamente, no dia seguinte, o mesmo discurso que provocou a crise com o PL.
A avaliação é de que o episódio ampliou o desgaste com setores bolsonaristas no estado e reacendeu preocupações sobre os impactos da pré-campanha presidencial de Zema nas alianças regionais do Novo.
Nota pública expôs desgaste
Dias antes do encontro, o diretório do Novo em Santa Catarina divulgou uma nota pública contra a postura de Romeu Zema. No texto, a legenda afirmou que o vídeo publicado pela equipe do ex-governador contra Flávio Bolsonaro foi “precipitado e desnecessário” e disse que não houve alinhamento prévio com o partido.
A nota também reforçou que a aliança entre o Novo e o PL em Santa Catarina permanece “sólida”, especialmente na composição entre Adriano Silva e Jorginho Mello, além de defender a continuidade das investigações sobre o Banco Master e a instalação de uma CPI sobre o caso.
Minas Gerais
Em Minas Gerais, integrantes do Novo afirmam reservadamente que o tom mais moderado adotado por Zema nos dias anteriores havia ajudado a reduzir o desconforto interno provocado pelo embate com Flávio Bolsonaro.
A nova fala em Santa Catarina, porém, voltou a gerar dúvidas dentro da legenda sobre qual linha o pré-candidato pretende seguir na relação com o PL ao longo da pré-campanha presidencial.