O ‘efeito Dilma’ que preocupa Marília sobre o Senado

Ex-presidente da República lançou-se ao Senado em 2018. Assim como neste ano, duas cadeiras estavam em disputa
Prefeita de Contagem deixará o cargo no fim de março para concorrer ao Senado. Foto: Luci Sallum / PMC

Prefeita de Contagem e pré-candidata ao Senado, Marília Campos (PT) tem manifestado receio a aliados após recentes conversas com prefeitos do interior. Ela teme experimentar o cenário enfrentado pela ex-presidente Dilma Rousseff (PT) em 2018. Após liderar as pesquisas durante grande parte do período eleitoral, Dilma acabou derrotada. Por tratar-se de uma disputa por duas vagas, o voto casado em candidatos à direita contribuiu para o revés.

O Fator apurou que parte dos chefes de Executivos municipais do PT e de outros partidos da base do governo Lula tem demonstrado inclinação a escolher o secretário de Estado de Governo, Marcelo Aro (PP), como segundo voto ao Senado.

Com o presidente do PL em Minas, deputado federal Domingos Sávio, despontando como pré-candidato a senador pelo partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, o cálculo eleitoral do grupo de Marília é que Aro seria a segunda opção de voto tanto de petistas quanto de bolsonaristas. A avaliação é que esta equação representaria uma forte ameaça à eleição da prefeita de Contagem.

Em 2018, os senadores escolhidos pelo eleitorado mineiro foram Rodrigo Pacheco, que concorreu pelo antigo DEM, e Carlos Viana, à época pertencente ao extinto PHS. Dilma terminou na quarta colocação, atrás do ex-presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), Dinis Pinheiro, lançado pelo Solidariedade.

Dilma formou dobradinha com o ex-deputado federal Miguel Corrêa, também do PT. Embora o partido tenha apresentado duas candidaturas ao Senado, a ex-presidente foi a concorrente prioritária, dominando as inserções obrigatórias de rádio e televisão e os recursos de campanha.

Logo no início do período eleitoral, Miguel se desentendeu com Dilma. O imbróglio fez com que correligionários não atuassem ativamente na campanha dele, fazendo com que perdesse força. O PT, aliás, só definiu pela candidatura do ex-deputado depois de registrar a chapa de Dilma. À ocasião, a legenda protocolou provisoriamente a candidatura de Jorge Luna, com objetivo de segurar a vaga até a batida de martelo.

Sem dobradinha com o Psol

Conforme mostrou O Fator, a ex-deputada federal Áurea Carolina, pré-candidata ao Senado pelo Psol, tem encontrado dificuldades na construção de uma dobradinha eleitoral com Marília

Prestes a se desligar do cargo no final de março, a prefeita de Contagem vinha atuando desde 2025 nas instâncias de direção do PT para ser a candidata prioritária de Lula ao Senado por Minas. As movimentações incomodaram o entorno do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), que também estuda lançar-se na disputa.

Nas últimas semanas, no entanto, interlocutores ligados à prefeita vêm sinalizando que uma eventual candidatura de Silveira tiraria votos de Aro, principalmente entre prefeitos que já sinalizaram apoio ao secretário do governador Romeu Zema (Novo).

Silveira é cotado também para assumir um cargo na coordenação nacional da campanha à reeleição do presidente da República. No entanto, se entrar na corrida ao Senado, o ministro terá de deixar o PSD, que lidera chapa governista no estado. Neste cenário, o PSB seria o destino mais provável. Para ser candidato, ele precisa definir a nova casa até o início de abril.

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