Um vereador do mesmo partido do prefeito Osvaldo Maia, o Zequinha (Agir), de São Gonçalo do Pará, no Centro-Oeste de Minas Gerais, chamou a atenção de interlocutores políticos da região por, da tribuna do plenário, reclamar de não estar sendo atendido pelo chefe do Executivo municipal e revelar ter tido atuação decisiva para evitar a cassação do correligionário por causa de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) aberta em 2024.
Eder Múcio fez o desabafo na terça-feira (31). Ao tratar do caso, o vereador mencionou registros produzidos pela CPI instaurada pela Câmara Municipal em junho do ano retrasado para apurar possíveis irregularidades em contratos e compras públicas da prefeitura.
“É claro que tem que se fazer crítica (…) está constado em ata (sic) que teve um roubo de mais de R$ 1 milhão em 2024. Mangueira de R$ 1, pagou R$ 7; vidro de R$ 70, pagou R$ 700”, disse o parlamentar em plenário.
A referência feita por Éder Múcio remete ao relatório final da CPI, que indicou a existência de indícios de irregularidades em contratos e compras públicas, com possível prejuízo superior a R$ 1 milhão aos cofres municipais. Apesar dos apontamentos, o parecer acabou arquivado.
Nos bastidores, a manifestação foi interpretada como um sinal de incômodo dentro da própria base política do governo municipal.
O que a CPI investigou
A Comissão Parlamentar de Inquérito foi instaurada pela Câmara Municipal de São Gonçalo do Pará em 2024 para apurar possíveis irregularidades na gestão de recursos públicos da prefeitura.
Entre os pontos analisados pela comissão estavam:
- pagamento de diárias de viagem e horas extras na Secretaria Municipal de Obras, Transportes e Serviços Públicos;
- reforma da Escola Municipal Felipe de Freitas, realizada por meio de contratação sem licitação;
- fornecimento de materiais de construção em contrato com a empresa Construmarla Cajuru Ltda.;
- contratação de serviços de capina e limpeza de vias públicas com a empresa Bravo Serviços e Construções;
- pagamentos a terceiros pela utilização de máquinas e equipamentos do município;
- fornecimento de refeições a servidores municipais em contrato firmado com o restaurante Esquinão.
Segundo o relatório final da CPI, a análise de documentos, depoimentos e registros administrativos apontou descumprimento de regras da legislação de licitações e contratos e possível prejuízo ao erário municipal envolvendo o prefeito e outros agentes públicos investigados.
