O sinal do governo de MG a servidores sobre projeto que regulariza gratificações à Fazenda

Executivo não vai conseguir sancionar o texto dentro de prazo previamente estabelecido, mas tramitação seguirá
A Cidade Administrativa de Minas
Governo quer adequar a regras recentemente estabelecidas pelo STF. Foto: Gil Leonardi/Imprensa MG

Embora o governo de Minas Gerais não tenha conseguido cumprir o objetivo de aprovar e sancionar, antes desta sexta-feira (3), o projeto que mexe nas regras para a concessão de gratificações a servidores da Secretaria de Estado de Fazenda (SEF), o texto seguirá tramitando na Assembleia Legislativa (ALMG). O recado foi dado a representantes sindicais pelo chefe da pasta, Luiz Cláudio Gomes, nessa quarta-feira (1°).

O prazo de 3 de abril foi colocado pelo Executivo estadual por causa da Lei Eleitoral, que proíbe a concessão de vantagens remuneratórias ao funcionalismo público 180 dias antes do 1° turno, agendado para 4 de outubro. Interlocutores a par do tema, no entanto, sustentam que, considerando a versão original da proposta, não se trata da oferta de novos benefícios, mas da sistematização do repasse de valores anualmente garantidos, o que abriria uma brecha em relação à regra da Justiça Eleitoral.

Já Luiz Cláudio Gomes, além de sinalizar que a tramitação seguirá, indicou que o Palácio Tiradentes estuda os impactos da não aprovação do texto antes da quarentena imposta pela legislação.

O texto regulariza os aumentos anuais da Gratificação de Estímulo à Produção (Gepi), paga a auditores e gestores fazendários. A bonificação vinha sendo reajustada anualmente por meio de normativa do Executivo, mas em novembro do ano passado o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que reajustes do tipo dependem de lei.

O objetivo da medida, que também estabelece normas para a Gratificação de Desempenho Individual (GDI), é adequar a situação dos servidores da Fazenda estadual à regra disposta pelo STF.

A proposta ainda tramita em 1° turno e está sob o guarda-chuva da Comissão de Fiscalização Financeira e Orçamentária (FFO). No início da semana, o relator, Zé Guilherme (PP), apresentou um substitutivo, mas defendeu o aval à ideia original para a regularização dos aumentos nas bonificações.

Guerra fria

Durante a análise da proposta pelas comissões da Assembleia, deputados pegaram carona no texto a fim de tentar emplacar emendas que beneficiavam servidores de outras categorias.

Como O Fator antecipou na semana passada, o Executivo aponta que não há espaço fiscal para abarcar os acréscimos. Na terça-feira (31), o governador Mateus Simões (PSD) corroborou a tese.

“Já disse aos deputados da base que não tem nenhuma possibilidade de autorizarmos o voto e muito menos de sancionarmos alterações que signifiquem aumento de desembolso. Com a gratificação da fazenda eu não vou desembolsar nada mais para votá-la, eu estou corrigindo uma distorção que foi considerada inconstitucional pelo STF. Então, não estou pagando nada mais para a Fazenda. Estou garantindo a manutenção de uma gratificação que eles já recebem. Não é momento de criar gratificações. Eu sou proibido de criar gratificações pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF)”, falou.

A fala, aliás, não foi bem recebida por alguns deputados. O entendimento é de que Simões tentou versar, sem autorização, sobre a competência do Legislativo de fazer alterações em proposições encaminhadas pela administração estadual.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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