O novo aceno do PSB a Alexandre Silveira

Nome do ministro vem ganhando força nos últimos dias no cenário de sucessão do governador Romeu Zema (Novo)
Alexandre Silveira em Reunião Ordinária do Conselho Nacional de Política Mineral
Para ser candidato, ministro terá que deixar o cargo até o começo de abril. Foto: Ricardo Botelho/MME

Em meio à indefinição do campo aliado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o candidato do grupo ao governo de Minas Gerais, o PSB fará, nesta terça-feira (3), em Belo Horizonte, um novo convite público de filiação ao ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD). O desejo do partido nacionalmente presidido por João Campos é ter Silveira como candidato ao Executivo estadual ou ao Senado Federal.

O aceno a Silveira partirá do próprio Campos, durante entrevista coletiva em um hotel da Região Central de Belo Horizonte. Prefeito do Recife (PE), o dirigente estará na capital mineira para uma série de reuniões com correligionários. Presidente do PSB mineiro, o prefeito de Conceição do Mato Dentro, Otacílio Neto, também participará da coletiva.

O nome do ministro de Minas e Energia passou a ganhar força no que tange à sucessão do governador Romeu Zema (Novo) por causa da indefinição do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) quanto a concorrer ou não ao Palácio Tiradentes. Pacheco, cabe ressaltar, ainda é o plano A de Lula para a disputa estadual.

Silveira é visto como uma opção a Pacheco por ter perfil leal a Lula e, ao mesmo tempo, possuir bom trânsito fora da esquerda. Delegado, o chefe da pasta de Minas e Energia chegou a ser convidado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para assumir a liderança do governo no Senado, em 2022. Ele recusou a sondagem.

No Palácio do Planalto, a avaliação é de que esse histórico amplia a capacidade de Silveira de dialogar com setores do eleitorado menos alinhados ao atual governo.

Fim de impasse regional

A eventual mudança para o PSB também resolveria um impasse regional, já que o PSD, atual legenda de Silveira, lançou a pré-candidatura de Mateus Simões, vice de Zema, ao governo estadual. No plano nacional, a agremiação deseja lançar um pré-candidato próprio ao Planalto e caminhar separada de Lula. Para encabeçar o projeto nacional pessedista, estão no páreo os governadores Ronaldo Caiado (Goiás), Ratinho Júnior (Paraná) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul).

Na semana passada, ao citar as diferenças internas no PSD, o presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, citou o caso de Silveira. Segundo o dirigente, o ministro deixou o comando estadual do partido por entender que a legenda tendia a não apoiar Lula.

“(Silveira), vendo que a diretriz do partido é ter o esforço de candidatura própria em todos os estados, se afasta do comando do partido em Minas Gerais e assume o partido o deputado estadual Cássio Soares, que faz um belo trabalho. (Soares) convida Mateus (Simões), vice-governador, a se filiar. Mateus será nosso candidato a governador e não vai apoiar o presidente Lula no estado do ministro Alexandre Silveira, que tem total tranquilidade, transparência, ética e nosso respeito para estar ao lado do presidente Lula”, afirmou, à Globo News.

Alexandre Silveira não foi o único nome que, nas últimas semanas, passou a ser citado como opção a Pacheco. Setores do PV chegaram a cortejar o ex-prefeito de Belo Horizonte Marcio Lacerda, que acenou negativamente à ideia, enquanto uma ala do PT chegou a considerar lançar a pré-candidatura ao governo da reitora da Universidade Federal de Minas Gerais, Sandra Goulart.

Sob nova direção

A presença de João Campos em Belo Horizonte atende ainda a duas agendas internas do PSB. O dirigente pretende convencer pré-candidatos a deputado federal de que o partido terá chapas competitivas em Minas. Em 2022, a legenda não alcançou o coeficiente eleitoral e ficou sem representantes na Câmara dos Deputados pelo estado.

Além disso, Campos levará à direção estadual a sinalização de que, mesmo com eventuais filiações de peso, como a de Silveira, tanto Otacílio Neto quanto o presidente do partido em BH, Leonardo Bastos, serão mantidos nos cargos.

Nos últimos 11 anos, o PSB mineiro teve sete presidentes: Júlio Delgado, Marcio Lacerda, Renê Vilela, Vilson da Fetaemg, Mario Assad Júnior, Noraldino Júnior e Otacílio Neto.

A instabilidade no posto é apontada por lideranças pessebistas como o principal motivo pelo qual o partido vem colecionando maus resultados eleitorais no estado e em suas principais cidades. Em Belo Horizonte, por exemplo, a legenda não elege vereadores desde 2016.

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