Em meio à indefinição do campo aliado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o candidato do grupo ao governo de Minas Gerais, o PSB fará, nesta terça-feira (3), em Belo Horizonte, um novo convite público de filiação ao ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD). O desejo do partido nacionalmente presidido por João Campos é ter Silveira como candidato ao Executivo estadual ou ao Senado Federal.
O aceno a Silveira partirá do próprio Campos, durante entrevista coletiva em um hotel da Região Central de Belo Horizonte. Prefeito do Recife (PE), o dirigente estará na capital mineira para uma série de reuniões com correligionários. Presidente do PSB mineiro, o prefeito de Conceição do Mato Dentro, Otacílio Neto, também participará da coletiva.
O nome do ministro de Minas e Energia passou a ganhar força no que tange à sucessão do governador Romeu Zema (Novo) por causa da indefinição do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) quanto a concorrer ou não ao Palácio Tiradentes. Pacheco, cabe ressaltar, ainda é o plano A de Lula para a disputa estadual.
Silveira é visto como uma opção a Pacheco por ter perfil leal a Lula e, ao mesmo tempo, possuir bom trânsito fora da esquerda. Delegado, o chefe da pasta de Minas e Energia chegou a ser convidado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para assumir a liderança do governo no Senado, em 2022. Ele recusou a sondagem.
No Palácio do Planalto, a avaliação é de que esse histórico amplia a capacidade de Silveira de dialogar com setores do eleitorado menos alinhados ao atual governo.
Fim de impasse regional
A eventual mudança para o PSB também resolveria um impasse regional, já que o PSD, atual legenda de Silveira, lançou a pré-candidatura de Mateus Simões, vice de Zema, ao governo estadual. No plano nacional, a agremiação deseja lançar um pré-candidato próprio ao Planalto e caminhar separada de Lula. Para encabeçar o projeto nacional pessedista, estão no páreo os governadores Ronaldo Caiado (Goiás), Ratinho Júnior (Paraná) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul).
Na semana passada, ao citar as diferenças internas no PSD, o presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, citou o caso de Silveira. Segundo o dirigente, o ministro deixou o comando estadual do partido por entender que a legenda tendia a não apoiar Lula.
“(Silveira), vendo que a diretriz do partido é ter o esforço de candidatura própria em todos os estados, se afasta do comando do partido em Minas Gerais e assume o partido o deputado estadual Cássio Soares, que faz um belo trabalho. (Soares) convida Mateus (Simões), vice-governador, a se filiar. Mateus será nosso candidato a governador e não vai apoiar o presidente Lula no estado do ministro Alexandre Silveira, que tem total tranquilidade, transparência, ética e nosso respeito para estar ao lado do presidente Lula”, afirmou, à Globo News.
Alexandre Silveira não foi o único nome que, nas últimas semanas, passou a ser citado como opção a Pacheco. Setores do PV chegaram a cortejar o ex-prefeito de Belo Horizonte Marcio Lacerda, que acenou negativamente à ideia, enquanto uma ala do PT chegou a considerar lançar a pré-candidatura ao governo da reitora da Universidade Federal de Minas Gerais, Sandra Goulart.
Sob nova direção
A presença de João Campos em Belo Horizonte atende ainda a duas agendas internas do PSB. O dirigente pretende convencer pré-candidatos a deputado federal de que o partido terá chapas competitivas em Minas. Em 2022, a legenda não alcançou o coeficiente eleitoral e ficou sem representantes na Câmara dos Deputados pelo estado.
Além disso, Campos levará à direção estadual a sinalização de que, mesmo com eventuais filiações de peso, como a de Silveira, tanto Otacílio Neto quanto o presidente do partido em BH, Leonardo Bastos, serão mantidos nos cargos.
Nos últimos 11 anos, o PSB mineiro teve sete presidentes: Júlio Delgado, Marcio Lacerda, Renê Vilela, Vilson da Fetaemg, Mario Assad Júnior, Noraldino Júnior e Otacílio Neto.
A instabilidade no posto é apontada por lideranças pessebistas como o principal motivo pelo qual o partido vem colecionando maus resultados eleitorais no estado e em suas principais cidades. Em Belo Horizonte, por exemplo, a legenda não elege vereadores desde 2016.