A decisão judicial que, nesta quarta-feira (18), anulou o congresso do início de março, que elegeu o deputado federal Alex Manente (SP) para a presidência nacional do Cidadania, animou a ala do partido favorável à formação de uma federação com o PSB. A O Fator, o ex-deputado Comte Bittencourt (RJ), um dos líderes do bloco simpático à aliança com os pessebistas, disse que as conversas sobre o tema seguem, apesar do prazo apertado.
O Fator apurou que o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) é favorável à federação. O apoio, dizem interlocutores ouvidos pela reportagem, é visto como importante para acelerar as tratativas.
Os diálogos entre PSB e Cidadania estavam avançados em dezembro do ano passado, quando Comte Bittencourt foi removido da presidência da sigla. A saída aconteceu por força de decisão da Justiça devolvendo o cargo ao ex-senador Roberto Freire (PE). O grupo de Freire, do qual Manente faz parte, é contra a aproximação a agremiações da base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Contra o tempo
Para formalizar uma federação, PSB e Cidadania terão de correr contra o tempo. O prazo para a homologação de coalizões junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) termina na primeira semana de abril. Antes de oficializar a união ao partido de João Campos, será preciso desfazer a federação com o PSDB, cuja renovação é defendida pela ala de Freire e Manente.
Horas após a sentença do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) determinando a anulação do congresso que elegeu Manente para a presidência do Cidadania, integrantes da direção nacional do partido se reuniram para debater o tema.
Os participantes do encontro cogitam um cenário alternativo para o caso de falta de tempo para fechar acordo com o PSB: não renovar a federação com o PSDB e disputar isoladamente a eleição de outubro.
Racha exposto
Mais cedo, Alex Manente disse a O Fator que a decisão desta quarta será revertida ainda nesta semana. Segundo ele, a dobradinha com os tucanos é a única forma de o partido manter acesso ao fundo eleitoral em 2026.
“Não há prazo legal para discutir outra alternativa que não seja a continuidade da aliança com o PSDB”, disse.