Momentos após o fim do evento público em Contagem, nesta sexta-feira (29), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reuniu-se com a prefeita Marília Campos e empresários para debater políticas econômicas diante do novo tarifaço dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. No encontro, que contou com a participação do presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe, do CEO da Tsea Energia, José Roberto Reynaldo, e do presidente da Magnesita, Wagner Sampaio, foram apresentadas ao presidente propostas de medidas emergenciais para apoiar a indústria nacional diante do aumento tarifário.
Durante a conversa, Roscoe entregou a Lula um documento detalhando reivindicações do setor produtivo mineiro. Lula se comprometeu a entregar a documentação ao vice-presidente e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin.
Pelo que O Fator apurou, entre as sugestões estão a postergação do recolhimento de tributos para exportadores do regime de apuração anual do Lucro Real, ampliação temporária dos créditos do Reintegra de 0,1% para 3% e flexibilização das regras de compensação de créditos fiscais obtidos via decisão judicial.
Também foram sugeridas medidas trabalhistas provisórias, como antecipação de férias e criação de banco de horas especial para empresas atingidas por sanções estrangeiras, bem como adiamento de obrigações ambientais e facilidade no pagamento e contratação de energia elétrica.
Outra solicitação do setor industrial é o uso mais ágil de direitos antidumping provisórios sempre que houver decisão preliminar que comprove práticas desleais de comércio exterior, dano ao setor e nexo causal. O segmento aponta casos recentes em que essa medida não foi adotada, expondo a indústria brasileira a prejuízos de concorrência com importados mais baratos, como aço da China e malha de poliéster.
Durante o evento, Lula afirmou que o governo está “adotando medidas para proteger empresários e trabalhadores”, incluindo a destinação de R$ 30 bilhões para possíveis ações de enfrentamento ao tarifaço norte-americano. O presidente também ressaltou que o Brasil buscará novos mercados externos para seus produtos e, embora não descarte taxar produtos dos EUA, disse que essa hipótese ainda não está em avaliação pela União.