Onde estão os alvos da nova fase da Operação Overclean, que afastou secretário de BH em abril

Segundo fontes ligadas às investigações, etapa deflagrada nesta quinta-feira (17) não será a última
Policiais federais durante operação
Decisão foi proferida pelo desembargador Pedro Felipe de Oliveira Santos na noite desta sexta-feira (19). Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta quinta-feira (17), mais uma fase da operação Overclean, desta vez sem alvos em Minas Gerais, mas com medidas judiciais em municípios do Nordeste — especialmente na Bahia — e em Brasília. O Fator apurou, no entanto, que partes do mesmo inquérito policial já avançam também para o Sudeste, embora não haja novos mandados de busca ou prisão nessa região nesta etapa.

O foco da operação desta quarta-feira, autorizada pelo ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), recaiu sobre um esquema suspeito de desvios em licitações públicas, com envolvimento de autoridades locais e empresários do setor de consultoria e construção civil. As diligências ocorreram em cidades baianas como Salvador, Campo Formoso,, Mata de São João e Juazeiro, além de Brasília (DF) e da pernambucana Petrolina.

Entre os locais atingidos estão residências e escritórios de figuras ligadas à administração municipal de Campo Formoso, bem como ex-ocupantes de cargos estaduais e federais, além de empresários. Houve buscas e apreensões de documentos, aparelhos eletrônicos e outros materiais que possam colaborar com as investigações. Nenhum dos alvos foi preso nesta etapa, mas todos enfrentam medidas restritivas determinadas por decisão judicial.

Operação sem alvos em MG, mas com vínculos investigativos

Em abril, uma etapa da Operação Overclean culminou no afastamento do então secretário de Educação de Belo Horizonte, Bruno Barral.

As investigações indicam que Barral teria atuado, antes de assumir em BH, para direcionar licitações em Salvador (BA) a favor de empresas ligadas ao empresário José Marcos Moura, conhecido como “Rei do Lixo”, e ao sócio Alex Parente. O inquérito foi anexado ao processo conduzido pelo ministro Kassio Nunes Marques, que determinou o afastamento de Barral em Minas Gerais após analisar trocas de mensagens e documentos apreendidos na operação anterior.

Próximos passos das investigações

A PF afirma que as evidências coletadas neste período serão analisadas para embasar futuras medidas, conforme o avanço das apurações. Segundo fontes ouvidas pela reportagem, apesar dos sinais de que o inquérito avança para outras localidades do Sudeste, ainda não há previsão para novas ações nessa região.

A operação Overclean segue coordenada pelo Ministério Público Federal (MPF), que acompanha o rito processual e pode requisitar indiciamentos ou outras medidas, conforme o conteúdo dos materiais apreendidos e a confirmação de supostas irregularidades.

Enquanto isso, os alvos desta quinta-feira na Bahia e no Distrito Federal têm três dias para apresentar defesa preliminar perante a Justiça. As medidas cautelares aplicadas devem valer até que as investigações sejam concluídas ou haja decisão judicial em contrário.

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