O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), se reuniu na noite dessa terça-feira (3), em Brasília (DF), com deputados federais do PT mineiro e outras lideranças da legenda. A iniciativa partiu do próprio Silveira, que propôs a conversa para tratar do cenário eleitoral da sigla em Minas Gerais e das possibilidades de articulação do campo de centro-esquerda no estado.
A reunião ocorreu em meio ao vácuo gerado pela ausência e pela falta de sinais de definição, por parte do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de um nome para a disputa pelo governo mineiro caso o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) decida não topar a empreitada.
Mas, conforme apurou O Fator, o encontro não terminou com encaminhamentos concretos. Uma das fontes que participou da conversa classificou o bate-papo como uma “tempestade de ideias”.
A queixa pela demora de Lula quanto a uma alternativa a Pacheco foi um dos pontos mencionados ao longo da conversa. A avaliação de petistas mineiros é que a ausência de definição tem gerado insatisfação nas bases do partido e “atrapalhado” a pré-campanha. O comentário recorrente é de que a legenda está perdida sobre as eleições no estado e não há sinalização sobre mudança de cenário a curto prazo.
Como O Fator mostrou mais cedo, Pacheco deve migrar do PSD para o União Brasil. O deputado federal Rodrigo de Castro, aliado do senador, assumirá o diretório estadual, o que proporcionará o espaço necessário para a mudança partidária. O ex-presidente do Congresso, contudo, só baterá o martelo sobre a candidatura após a reorganização de seu grupo político.
Rejeição a Pimentel é barreira
Dirigentes do PT em Minas avaliaram, na reunião, que o candidato da esquerda ao governo do estado em 2026 terá de enfrentar abertamente a rejeição ao ex-governador Fernando Pimentel e, ao mesmo tempo, se apresentar como um projeto diferente da gestão do ex-chefe do Executivo mineiro.
Para isso, a despeito da indefinição em torno de Lula e Pacheco, a sigla analisa, por conta própria, nomes com trânsito no centro político e capacidade de dialogar para além da base tradicional do PT, sejam filiados à agremiação ou não.
O entendimento é de que o legado do governador petista, que não conseguiu se reeleger, ainda pesa negativamente junto ao eleitorado e condiciona qualquer estratégia para formar um palanque competitivo Lula em solo mineiro.
Nesse cenário, aparecem como os nomes mais bem avaliados do PT a prefeita de Contagem, Marília Campos, e o deputado federal Reginaldo Lopes. Ambos são vistos como quadros que conseguiriam tratar dos problemas enfrentados por Minas durante o governo Pimentel, especialmente na área fiscal, sem perder interlocução com a esquerda.
Marília, por comandar uma prefeitura na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), é considerada por dirigentes como alguém com maior potencial de capilaridade eleitoral. Ainda assim, segundo relatos internos, nem ela nem Reginaldo demonstram interesse em disputar o Palácio Tiradentes. Ambos, aliás, querem o Senado.
Apesar de mais ligada à ala “tradicional” do PT, a prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão, também foi citada. A chefe do Executivo da principal localidade da Zona da Mata, no entanto, já indicou a correligionários que não pretende entrar na corrida pela sucessão de Romeu Zema (Novo).
Nomes de fora
Além dos quadros petistas e de Rodrigo Pacheco, foram lembrados os nomes do empresário Josué Alencar, do ex-prefeito de Belo Horizonte Marcio Lacerda, do ministro Alexandre Silveira (PSD) e do presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (MDB), Tadeu Leite. Lacerda e Tadeu, entretanto, já indicaram a aliados que não planejam, por ora, concorrer ao Palácio Tiradentes.
Josué Alencar, por sua vez, teria sido convidado para participar do processo eleitoral em função do fim de seu mandato à frente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Segundo fontes ouvidas pela reportagem, o nome do empresário surgiu após a avaliação de que, apesar de desconhecido, poderia agregar eleitorado ao longo da campanha.
O convite a Josué Alencar foi feito pelo ex-deputado e um dos fundadores do PT, Virgílio Guimarães. Ele é assessor especial de Alexandre Silveira no Ministério de Minas e Energia.
Busca por aproximação
Ainda conforme apuração de O Fator, o movimento de Alexandre Silveira por uma conversa com integrantes do PT mineiro faz parte de uma estratégia de aproximação do ministro junto a quadros do partido de Lula. O movimento está relacionado às tratativas dele para a saída do PSD rumo ao PSB.
Durante a reunião, o ministro ainda teria reafirmado a intenção de disputar uma vaga no Senado nas eleições deste ano – essa hipótese, inclusive, enfrenta resistência em setores do PT. Uma delas parte de Marília Campos, que quer tentar o Senado.