Embora descarte a filiação ao MDB, o senador Rodrigo Pacheco, ainda no PSD, articula, junto a lideranças emedebistas, a formação de um bloco de pré-candidatos a deputado federal e deputado estadual.
A intenção é acomodá-los não apenas no MDB, mas também em outras legendas mais ao centro do espectro político, como o PSB, o PSDB e o União Brasil.
A ideia de alocar os pré-candidatos em partidos ao centro foi um dos temas de reunião ocorrida nesta quarta-feira (4) entre Pacheco, o presidente do MDB mineiro, Newton Cardoso Júnior, e o pré-candidato da sigla ao governo estadual, Gabriel Azevedo.
Além da montagem de chapas proporcionais, o encontro serviu, como adiantou O Fator, para o senador explicar que não considera voltar aos quadros emedebistas em razão da pré-candidatura de Gabriel já estar posta.
Além de Pacheco e da comitiva do MDB, o deputado federal Luiz Fernando Faria bateu ponto na agenda. Filiado ao PSD, o parlamentar é do grupo político do senador e deve trocar de partido.
O plano para abrigar pré-candidatos legislativos em legendas ao centro foi confirmado a O Fator por aliados de Pacheco e por Gabriel. O ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH), inclusive, afirmou que deve intensificar os contatos com representantes de outras legendas.
De acordo com ele, haverá “empenho pessoal” de Pacheco em prol da eleição de nomes alinhados a suas ideias. Mesmo se ficar de fora da corrida eleitoral neste ano, o senador quer manter o protagonismo político em decisões partidárias do estado.
“Queremos conversar com outras legendas ainda hoje. Eu próprio vou ligar para o presidente do PSDB, deputado federal Paulo Abi-Ackel, para o presidente do PSB, prefeito (de Conceição do Mato Dentro) Otacilinho e mais outros presidentes de legenda, porque precisamos formar um time que mostre a Minas Gerais o compromisso de um campo democrático, que entende que dívida, estrada ruim, escola sem atividade e hospital que não funciona são problemas”, disse Gabriel.
O União Brasil, citado por aliados de Pacheco como uma sigla que pode receber pré-candidatos à Assembleia Legislativa (ALMG) e à Câmara dos Deputados, passou recentemente ao comando do deputado federal Rodrigo de Castro. O parlamentar é considerado próximo do ex-presidente do Congresso Nacional.
Ao mesmo tempo, ainda não há clareza sobre qual será a posição nacional do partido, que tem federação com o PP, uma vez que há dirigentes das duas siglas que defendem que a aliança partidária caminhe com a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Palácio do Planalto.
Sem garantia de neutralidade nos estados para a formação de palanques em favor da reeleição de Lula, Pacheco conversava com o MDB. Mesmo que não dispute o pleito estadual, o senador afirma que não pretende apoiar candidatura de direita à Presidência da República. Na outra ponta, o PL tenta atrair a federação partidária para o seu arco de alianças.
Definição ainda na janela partidária
Rodrigo Pacheco ainda não bateu o martelo sobre concorrer ou não ao governo de Minas Gerais, mas deseja se filiar a um partido até o fim da janela destinada a mudanças de legenda, no início de abril. O objetivo é reunir condições legais para o caso de decidir entrar na corrida rumo ao Palácio Tiradentes.
A participação de Pacheco na eleição mineira é um desejo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que quer tê-lo como líder de seu palanque estadual. Os sinais dados pelo senador sobre não se filiar ao MDB em respeito à pré-candidatura de Gabriel Azevedo vão ao encontro do entendimento de dirigentes petistas.
Embora os correligionários de Lula esperem por uma decisão breve do senador, já vinham tratando com ceticismo a possibilidade de embarque na legenda nacionalmente comandada pelo deputado federal Baleia Rossi (SP).
