O Bradesco BBI, banco de investimentos controlado pelo Bradesco, diz que a privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) tem 99% de chances de acontecer. A projeção consta em relatório divulgado a clientes da instituição nesse domingo (30). No documento, o BBI colocou em R$ 56 o preço-alvo das ações da empresa para o final do ano que vem. Antes, o target era de R$ 25.
A análise é de Francisco Navarrete, um dos integrantes da equipe de research do Bradesco BBI. Na visão dele, o otimismo quanto à privatização da Copasa se justifica pelos recentes avanços na tramitação legislativa do assunto, como a promulgação da Emenda à Constituição (PEC) que eliminou a necessidade de referendo popular para a venda de ações da estatal de saneamento.
Na visão de Navarrete, é alta a probabilidade de o processo ser concluído no ano que vem.
“O próximo passo é a votação do projeto de lei de privatização da Copasa pela Assembleia Legislativa, o que provavelmente ocorrerá ainda em dezembro de 2025. Presume-se que o governo do estado já possui os 3/5 dos votos necessários, visto que negociou com sucesso a eliminação do referendo”, pontuou, em menção à obrigatoriedade de a privatização ter o consentimento de ao menos 48 dos 77 deputados estaduais.
Na avaliação do Bradesco BBI, caso a privatização da Copasa não aconteça, o preço-alvo das ações sofreria desvalorização, chegando a aproximadamente R$ 32.
A previsão de aumento do valor das ações unitárias da Copasa não é exclusividade do Bradesco. No fim de outubro, o BTG Pactual estimou em R$ 46 o preço dos títulos no ano que vem. No mesmo mês, o Citi colocou o target em R$ 45, enquanto o Itaú BBA apontou R$ 43,20.
Votação à vista
Aliados do governador Romeu Zema (Novo) tentam fazer com que a votação em 1° turno do projeto que viabiliza a privatização da Copasa aconteça já nesta terça-feira (2). Nesta segunda-feira (1°), uma série de emendas à proposição serão rejeitadas pela Comissão de Fiscalização Financeira e Orçamentária (FFO) da Assembleia Legislativa (ALMG). As sugestões foram protocoladas por deputados de oposição.
O plano é concluir todo o processo de negociação das ações até abril do ano que vem, quando Zema deixará o governo para cuidar da pré-candidatura à Presidência da República.
O caminho a ser utilizado para concretizar a alienação dos papéis, contudo, não está decidido. Conforme O Fator já mostrou, uma das ideias aventadas gira em torno da adoção de um modelo misto, baseado em duas operações paralelas.
A possibilidade contempla a venda de um bloco acionário para um parceiro de referência e, ao mesmo tempo, a oferta de outra leva de títulos na Bolsa de Valores, por meio do follow on — mesmo tipo de operação realizada pela Sabesp, a estatal de águas paulista, em 2023.
