O PL já preencheu, ao menos neste primeiro momento, a cota destinada à filiação de deputados federais e estaduais de Minas Gerais que estavam em outros partidos. O Fator apurou que essa foi uma das conclusões da reunião de representantes da sigla no estado com o presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, nesta semana, em Brasília (DF).
Na esfera federal, a sigla recebeu as filiações das deputadas Greyce Elias e Delegada Ione, ambas do Avante. Na próxima semana, será a vez de deliberar, em votação, sobre a chegada de Dr. Frederico (PRD) à agremiação. O PL foi sondado por ao menos 15 representantes de Minas no Congresso Nacional sobre a possibilidade de migração e não teve baixas.
Na esfera estadual, Chiara Biondini deixou o PP para se juntar aos liberais, sigla que abriga seu pai, o deputado federal Eros Biondini. Essas filiações, inclusive, também foram oficializadas na quarta-feira (18), durante o encontro dos mineiros com Valdemar.
A princípio, o receio de uma “chapa pesada” é o que dificulta a entrada de novos nomes com mandato. As conversas, porém, continuam ocorrendo enquanto a janela partidária segue aberta. Conforme o calendário eleitoral, parlamentares têm até 4 de abril para trocar de legenda sem nenhum tipo de punição.
Senado e giro pelo estado
De acordo com interlocutores, o foco do PL é fechar a montagem das chapas proporcionais antes de voltar as atenções para pré-campanhas majoritárias já definidas, como a do deputado federal Domingos Sávio ao Senado Federal e a do senador Flávio Bolsonaro (RJ) à Presidência da República.
Após o fim da janela partidária, Domingos Sávio vai passar o comando da legenda no estado para o ex-deputado federal José Santana e para o deputado federal Zé Vitor, a fim de se dedicar à pré-candidatura. Giros pelo estado ao lado de Flávio Bolsonaro estão sendo articulados.
A outra vaga ao Senado na chapa continua em aberto para um quadro próprio ou para um indicado por outra legenda. Essa última possibilidade é mais ventilada, uma vez que o PL pretende utilizar o posto como trunfo para a montagem de uma coligação de direita no estado nas eleições deste ano.
Último passo: governo de Minas
As conversas sobre o governo de Minas, por sua vez, só devem avançar após o prazo ligado à janela partidária. O deputado federal Nikolas Ferreira (MG) defende uma aliança com o vice-governador e pré-candidato do PSD ao Executivo estadual, Mateus Simões.
Nikolas e Simões têm participado juntos de agendas pelo interior mineiro, em movimento visto pelo entorno do pessedista como um sinal de que há espaço para fechar acordo com o PL.
O nome do vice era visto com reticência por parte da legenda, mas voltou ao jogo sobretudo pelo fato de que ele assumirá, no próximo domingo (22), a gestão de Minas no lugar de Romeu Zema (Novo), que vai se desincompatibilizar para disputar o Palácio do Planalto.
O PL espera que, à frente do estado, Simões não faça gestos apenas a Nikolas, como já tem feito, mas também a outros parlamentares. Outro nome lembrado é o do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG), que aparece em vantagem nas pesquisas de intenção de votos.
Candidaturas próprias também não são descartadas, como a do presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe, que deve se filiar à sigla em abril. O nome dele também é lembrado para uma composição como vice.
Discurso alinhado
A reunião também serviu para unificar o discurso sobre a polêmica de que o PL seguiu, em Minas, a estratégia da direção nacional ao aceitar a filiação de nomes não tão alinhados ao bolsonarismo. O movimento encontrava resistência de Nikolas Ferreira, como revelou O Fator.
O parlamentar reivindicava que as chapas legislativas da sigla fossem compostas majoritariamente por nomes ideologicamente próximos ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A ala do presidente Valdemar Costa Neto, contudo, teria dado espaço a perfis variados, incluindo figuras identificadas como o centro do espectro político.
Para pacificar o cenário, os dirigentes afirmaram que não houve desconforto e que o único critério adotado foi o histórico de oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo a legenda, não houve qualquer desalinhamento em relação ao que defendia Nikolas.
O deputado federal foi o mais votado do partido nas últimas eleições e é considerado o principal puxador de votos no estado. Por isso, há o cuidado de não desagradá-lo. Nikolas era tido como favorito para concorrer ao governo de Minas, mas declinou do convite e passou a buscar apoio da legenda para Mateus Simões.